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A agência Bloomberg destacou ontem, em dinheiro, o tamanho da capotada do empresário brasileiro Eike Batista que prometia ser o homem mais rico do mundo: desde o maior pico de sua fortuna, de U$ 34,5 bilhões em 2012, até o dia 2 de julho, Eike ficou 91,6% menos bilionário – e não “mais pobre”. A fortuna do magnata brasileiro está avaliada agora em US$ 2,9 bilhões, o equivalente a R$ 6,7 bilhões na cotação atual do dólar (veja quadro).
Os papéis da principal empresa do Grupo EBX de Eike, a petrolífera OGX, estão em queda há algum tempo. Mas nada se compara à queda livre em desfiladeiro dos três primeiros dias desta semana: desvalorização de 50,6%.
Saída da MPX
O grupo EBX de Eike Batista, que já foi um conglomerado industrial com grandes ambições, começou a desmoronar ontem, sendo a mais nova vítima do boom de uma década do setor de commodities a sofrer uma parada brusca.
Eike, fundador e força vital por traz do grupo de petróleo, energia, portos, navios e mineração, que nomeou todas as suas companhias com um “X” para simbolizar “multiplicação de riqueza”, saiu da presidência do Conselho de Administração da MPX, empresa de energia e a mais promissora do grupo.
A companhia de geração de eletricidade também será renomeada até outubro para se posicionar como fora do grupo EBX, disseram executivos da MPX em teleconferência ontem.
O movimento tira Eike da MPX num momento em que o valor do seu império, que já foi avaliado em cerca de US$ 60 bilhões, desintegra-se. Uma vez considerado o homem mais rico do Brasil, a participação pessoal de Eike na EBX diminuiu em mais de US$ 20 bilhões no último ano, enquanto as promessas de poços de petróleo, portos, plantas de geração de energia e navios falharam em se materializar.
A maior parte das ações das empresas do EBX está agora quase sem valor, a dívida é negociada a níveis que sugerem default e investidores líderes questionam a promessa de Eike de investir mais. Com a economia do Brasil em dificuldade, a fraqueza da moeda e a demanda chinesa - força condutora por traz do boom do Brasil na última década - diminuindo, investidores têm pouco apetite por novos investimentos.
“O apuro de Eike é como o do Brasil, um sinal de que não podemos mais ignorar o apuro do País”, disse Alexandre Barros, fundador da Early Warning, uma consultoria de risco político baseada em Brasília. “Eike deixou investidores animados sobre o potencial do Brasil, que era real, mas como o Brasil, Eike falhou em entregar.”
A saída de Batista ocorre depois que a MPX cancelou uma oferta de ações de cerca de R$ 1,2 bilhão.