08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Perguntas que merecem esclarecimento


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Depois de ouvir várias opiniões sobre a excomunhão do Padre Beto, a favor e também contrárias, resolvi escrever o que penso sobre o assunto. Quero levantar algumas questões. O tribunal, montado às pressas, que julgou o Padre Beto, estava formado por quem? Me parece que o presidente foi um padre de outra Diocese. E o restante? Será que eram padres da Diocese de Bauru?

Será que são os mesmos que foram a Franca, antes mesmo de D. Caetano assumir a nossa Diocese, para levantar "informações distorcidas" contra o Pe. Beto? Espero que não. Será que esse tribunal foi soberano, julgou e tomou a decisão da excomunhão? E o bispo D. Caetano? Simplesmente a ratificou?

Quem são essas pessoas? Esses seres com capacidade extraordinária para, numa manhã de uma 2ª feira, decidir sobre a vida de um padre, que se dedicou integralmente à Igreja, reconquistando milhares de fiéis? É proibido divulgar seus nomes? Estamos num período de busca de transparências e a Igreja não deveria ser uma exceção nesse cenário que está despontando.

Mais uma questão. E o caso do Padre Dé, de Franca? Segundo informações, ele cometeu crime gravíssimo e sequer foi advertido pelo bispo da época, D. Caetano. Será que o Pe. Beto cometeu algum crime? Assisti à entrevista dele no programa da Marília Gabriela. Limpa, inteligente, transparente, honesta. Ser excomungado pelo que pensa e diz?

Ouvi opiniões de membros importantes da Diocese. Todos reconheceram o exagero e que, no máximo, caberia uma advertência. Eu já acho que não merecia nem cartão amarelo, quanto mais o vermelho. Até parece que esse processo já estava pronto à espera de uma oportunidade. Não estou afirmando isso, mas questionando.

Que saudades dos períodos em que vivenciamos uma Igreja progressista, no qual muitos padres e fiéis podiam sonhar com um mundo mais transparente e mais verdadeiro, sem máscaras de falsa moral. E o direito de defesa? Como o Padre Beto, eu também tenho a esperança de que o Papa Francisco examine esse processo e anule esse absurdo, uma vez que seus atos e declarações me levam a crer nesse desfecho, ou seja, num mundo que remete ao não retrocesso.

José Antonio Guedes