08 de julho de 2026
Internacional

Muçulmanos chamam novos protestos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Exército cercou acessos aos locais de protestos dos islâmicos para evitar que confrontos entre aliados e opositores

A Irmandade Muçulmana convocou ontem novos protestos contra o golpe que derrubou o presidente Mohamed Mursi, que pertencia ao grupo, na última quarta-feira (3). Os atos são marcados depois que a Promotoria pediu a prisão de mais dois líderes do movimento.

A entidade não reconhece a queda do presidente, feita pelos militares e apoiada pela oposição, e sofreu baixas nos últimos dias após receber cerca de 300 ordens de prisão contra seus membros. Dentre os que foram presos, está o vice-líder do partido, Khairat el-Shater.

Os islâmicos se concentraram na mesquita de Rabia al-Adawiya e na sede da Guarda Republicana, onde dizem que Mursi está preso. Enquanto isso, militantes de grupos liberais se reuniram na praça Tahrir, no centro da cidade, local dos protestos durante a revolta que derrubou o regime do ditador Hosni Mubarak, em 2011.

Segundo fontes militares questionadas pela agência de notícias Efe, o Exército cercou os acessos aos locais de protestos dos islâmicos para evitar que aconteçam confrontos entre aliados e detratores do presidente deposto. Na última sexta, os enfrentamentos deixaram 36 mortos e mais de 200 feridos.

Os protestos foram convocados horas após a Procuradoria-Geral egípcia pedir a prisão de três dirigentes do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana - o vice-presidente do partido, Esam el-Arian, o membro da executiva Mohamed el-Beltagui e o clérigo Safwat Higazi.

Os três são acusados de incitar os confrontos e de porte de armas e explosivos durante a invasão de grupos opositores a Mursi à sede da Irmandade no Cairo, no último dia 30, que terminou com dez mortos e mais de cem feridos.

A Procuradoria já havia decidido anteriormente manter em prisão preventiva durante 15 dias o presidente do partido, Saad al-Katatni; o “número dois” da Irmandade, Khairat al-Shater; o ex-líder do grupo Mohammed Mahdi Akef; e o vice-guia espiritual dos Irmãos, Rachad Bayumi.

Rússia

Ontem, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que há risco de guerra civil no Egito após a queda de Mursi, em especial pela ascensão de grupos armados. “A Síria já é desgraçadamente um campo de guerra civil e o Egito vai na mesma direção. Gostaríamos que o povo egípcio evitasse ter o mesmo azar”.

A Rússia é um dos países que condenaram a queda do presidente Mohamed Mursi, eleito democraticamente no ano passado. O mandatário era acusado pela oposição de autoritarismo, interferência no Judiciário e de querer impulsionar reformas que restringiam liberdades e impunham a lei islâmica.

O conflito no país aumentou a instabilidade na península do Sinai, que faz fronteira com a faixa de Gaza e Israel. Neste domingo, parte do gasoduto que envia gás à Jordânia foi destruído por homens armados na cidade de Al Arish. O fluxo de gás foi interrompido temporariamente.