Uma greve do poderoso sindicato de caminhoneiros, em protesto contra os altos impostos sobre os salários, paralisava ontem o transporte de cargas na Argentina, afetando a atividade portuária no maior exportador global de derivados de soja.
A greve foi convocada por Hugo Moyano, chefe da maior central sindical do país, a CGT, e líder dos caminhoneiros, sindicato que engloba desde o transporte de jornais e combustíveis até a coleta de lixo e o fornecimento de alimentos às companhias aéreas.
“Se não puderem colocar gasolina, terão que se queixar com ela”, disse Moyano ontem, se referindo à presidente Cristina Kirschner. O sindicato convocou uma grande mobilização no centro de Buenos Aires, onde milhares de caminhoneiros esperavam para escutar seu líder.
Nas ruas de Buenos Aires, no entanto, era notável a acumulação de lixo por conta da adesão dos coletores e varredores à greve.
Devido à grande deterioração da rede ferroviária nas últimas décadas, quase todos os bens argentinos são transportados por caminhão, incluindo as vitais colheitas de grãos e exportações automóveis.
Esta deterioração e a força agrícola da Argentina, fornecedor mundial de matérias-primas como a soja, ajudaram a consolidar o poder dos caminhoneiros no país.