O Egito vai realizar uma nova eleição parlamentar depois que alterações à Constituição suspensa do país forem aprovadas em referendo, decretou o chefe de Estado interino ontem, estabelecendo um prazo que poderá abrir caminho para uma eleição legislativa em cerca de seis meses.
Uma eleição presidencial deverá ser convocada depois que uma nova Câmara Legislativa for formada, segundo o decreto, que também estabeleceu um período de quatro meses e meio para as alterações à controversa Constituição que foi aprovada em dezembro.
Essa Constituição foi suspensa na semana passada quando o Exército depôs o presidente islâmico, Mohamed Mursi, após grandes protestos populares contra o seu governo.
Protestos e mortes
A Irmandade Muçulmana do Egito e seus aliados islâmicos fizeram um chamado para mais protestos ontem, depois que 51 pessoas foram mortas no Cairo ontem, quando o Exército abriu fogo contra partidários do presidente deposto Mohamed Mursi.
Partidários de Mursi culpam os militares por abrir fogo contra eles do lado de fora do complexo da Guarda Republicana, onde acredita-se que esteja o ex-presidente islâmico deposto pelos militares na quarta-feira. O Exército afirmou que abriu fogo em resposta a um ataque contra seus soldados.
Em protesto contra o golpe militar que foi seguido por ações repressivas, que teve como auge o massacre da Guarda Republicana ocorrido na madrugada, apelamos a todos os cidadãos e pessoas honradas a protestar na terça-feira no Egito”, disse um porta-voz da coalizão liderada pela Irmandade Muçulmana, Hatem Azam, em entrevista coletiva.