Em 9/7/32, os paulistas e as tropas do governo federal se enfrentaram em um conflito que foi denominado de Revolução Constitucionalista. Muitas pessoas estavam revoltadas contra o governo de Getúlio Vargas e também com a falta de uma Constituição Federal atualizada com as necessidades da época, que promovesse mais democracia e direitos sociais. Fazendeiros que haviam perdido poder e influência política se tornaram ferrenhos opositores de Vargas e, após a morte dos estudantes Martins, Miragaia, Drauzio e Camargo (MMDC), em maio de 1932, uma série de manifestações nas ruas de São Paulo provocaram vários conflitos entre paulistas e as tropas federais. O título deste texto refere-se à campanha realizada para recolher doações e armar as tropas paulistas. A Marinha do Brasil, fiel a Vargas, fechou os portos às importações e, sendo assim, indústrias paulistas começaram a fabricar armas para o confronto. Vários combates ocorreram e as tropas federais venceram os paulistas devido à sua superioridade numérica e grande quantidade de recursos.
Porém, em 1934, Vargas promulgou uma nova Constituição, proporcionando voto secreto, voto feminino, criação da Justiça do Trabalho, proibição do trabalho infantil, entre outros. Em que isso nos importa e o que nos ensina? Recentemente, assistimos a uma onda de manifestações populares por todo o Brasil, e os resultados são nítidos para todos, pois os políticos passaram a ouvir mais os seus próprios eleitores. O nível de envolvimento das pessoas na vida política do Brasil aumenta consideravelmente e irá aumentar ainda mais. Despertou-se um senso sociopolítico que só irá crescer e se desenvolver, servindo de grande exemplo, modelo e inspiração para os jovens de hoje.
Se desejamos um país mais digno e justo para todos, com benefícios proporcionais à carga tributária, é fundamental que nos mobilizemos para isso, manifestando-se nas ruas, através do voto, de participação nas reuniões de pais nas escolas, nas associações de bairros. Temos que exigir decência, produtividade e ética destes que se dizem representantes do povo. Mas se a apatia, o descaso, o conformismo, o não envolvimento na vida política do Brasil de alguma forma, for prática do cotidiano das pessoas, o Brasil continuará a ter grandes desigualdades sociais, altos índices de analfabetismo e péssimo sistema de saúde. Se você ignora a participação política e a pessoa que você ama morrer em um corredor de hospital por falta de atendimento ou de médicos especializados, entenderás porque deveria cobrar e exigir mais dos responsáveis pela arrecadação e distribuição do dinheiro público. Temos que definir o que queremos. Teremos bons estádios, mas muitas escolas públicas continuarão a ter professores recebendo salários de fome, trabalhando em péssimas condições de trabalho e sem nenhum estímulo para se aperfeiçoarem.
Os políticos brasileiros precisam se conscientizar que eles não são melhores que os demais brasilerios, que não podem usar aviões da FAB, pois podem pagar suas próprias passagens aéreas, que é injusto ter fórum privilegiado, vencimentos exagerados, aposentadoria especial, auxílio moradia e planos de saúde que ninguém no Brasil tem igual. O Congresso deve ser foco de análise, observação e vigilância constante. Temos que acompanhar o que os políticos estão fazendo e propondo. Se você votou em alguém e esta pessoa foi eleita, você deu uma procuração para ela agir em seu nome. Acredito que somos nós que construímos nosso próprio país e somos os responsáveis pela nossa vida e nossa felicidade. Quem se vende vale menos do que recebe, os maus dominam porque os bons se calam, e o povo tem o governo que merece. Se um eleitor troca seu voto por uma cesta básica, mais tarde ele vai sofrer desnutrição social, será faminto de dignidade, de democracia e cidadania.
Oswaldo Henrique Nicolielo Maia