08 de julho de 2026
Geral

Bauru perde seu ?jipeiro humanitário?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos/Arquivo pessoal

Membro da ONG SOS Global, Fausto ajudava sobreviventes de diversas tragédias

Não importava a localidade, o dia e nem a distância. Bastava haver uma tragédia e pessoas necessitando de ajuda, Fausto Candido Neto pegava seu jipe e passava dias ajudando os sobreviventes. Ele se preparava para mais uma “missão espiritual”. Iria para o Himalaia levar socorro às inundações que mataram centenas. Porém, o destino não deixou. Bauru perde Faustão, como era conhecido por alguns.

Internado desde o final de semana, ele não resistiu e morreu ontem, aos 53 anos. Familiares apontam que Fausto foi vítima de uma pneumonia fúngica. Quando foi internado, contudo, havia suspeita de H1N1.

“Era só saber que havia pessoas precisando, meu tio largava tudo e ia”, relembra Marina Bueno de Godoy, 23, sobrinha de Fausto. “Só há uma definição para ele: era um verdadeiro servo de Deus”, resume.

Fausto frequentava a Igreja Presbiteriana de Bauru, religião que acompanha sua família há gerações. Os familiares contam que ele era bastante religioso e, por isso, não media esforços para ajudar os necessitados.

A sobrinha conta que, quando ele sabia da necessidade, pegava seu jipe e levava a ajuda ao local. “Ele pegava a ‘rural’ dele e se dirigia até lá. Fazia isso sempre com muito amor”, destaca.

Nas redes sociais, muita comoção ao saber da perda. Um dos amigos considerou uma perda não só para Bauru, pois “para o Fausto Neto não havia fronteiras ou barreiras que o impediam de fazer o trabalho de Deus”.

E realmente não tinha. Além de cenários brasileiros de tragédias como São Luiz do Paraitinga, Santa Catarina e Rio de Janeiro, Fausto foi voluntário também em casos de relevância no Exterior. Em 2012, ele percorreu o Chile fabricando e instalando barracas nas áreas atingidas pelos terremotos. Um ano antes, fez trabalho semelhante no Haiti.

“Dias especiais de trabalho duro, suor, lágrimas, porém de muitas vitórias”, escreveu Fausto, nas redes sociais, sobre o período em que passou ajudando os desabrigados das enchentes que assolaram Santa Catarina em 2011.

Fausto fazia parte da Organização Não-Governamental (ONG) SOS Global, que tem por objetivo exatamente enviar socorro a áreas atingidas por grandes catástrofes.

Aos 53 anos, Fausto Neto deixa a esposa e dois filhos

Músico

Além da vertente humanitária, os familiares e amigos mais próximos conheciam o lado músico de Fausto. Ele tocava vários instrumentos e tinha um gosto apurado pela Música Popular Brasileira (MPB). “Era uma pessoa muito desprendida. Ele também era muito ligado à natureza. A própria casa dele era um exemplo disso”, conta o sobrinho Marcos César Botelho.

Fausto Neto deixa a esposa, Regina, de 49 anos, e os filhos Lourenço, 27, e Rebeca, 17. O velório dele está sendo realizado na Primeira Igreja Presbiteriana de Bauru, localizada na rua Cussy Júnior, 9-76, na esquina com a Agenor Meira, no Centro de Bauru. Às 10h30, ocorrerá um culto em homenagem a ele. Já o sepultamento será às 13h30, em Jaú.