09 de julho de 2026
Internacional

Justiça do Egito ordena a prisão de líderes da Irmandade Muçulmana

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A Procuradoria-Geral do Egito voltou a ordenar ontem a prisão do líder religioso da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie. Desta vez, ele é acusado de incitar à violência durante o protesto em frente à Guarda Republicana, na última segunda.

As manifestações foram convocadas após um discurso de Badie, na última sexta, em que pediu mais pressão dos islamitas contra a deposição do presidente deposto Mohamed Mursi. Os protestos acabaram em confronto com os militares, que deixou 55 mortos e mais de 300 feridos.

Este é o segundo mandado de prisão contra o líder religioso. O primeiro foi feito na quinta passada, quando ele foi acusado de incitar a morte de oito manifestantes liberais durante a invasão à sede da Irmandade Muçulmana, no Cairo, em 30 de junho.

Além dos dois, outros altos integrantes da Irmandade também tiveram prisão decretada, incluindo o vice de Badie, Mahmoud Ezzat, e os outros líderes do partido Essam El-Erian e Mohamed El-Beltagi, que também comandam o braço político do movimento, o Partido Liberdade e Justiça.

Na semana passada, cerca de 250 membros da entidade receberam ordem de prisão por envolvimento nas mortes na invasão da sede da Irmandade. Já o presidente Mohamed Mursi foi proibido de sair do país após ser acusado de “insultar o Poder Judiciário”, após acusar os juízes de apoiarem a ditadura de Hosni Mubarak.

Oferta de ministérios

O Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, rejeitou ontem a oferta do governo interino do Egito de entregar ministérios para o movimento, ao qual pertence o presidente deposto Mohamed Mursi.

Assim como em outras ocasiões, a entidade rejeitou as propostas do presidente Adly Mansur, que considera ilegítimo. Desde que Mursi foi retirado pelos militares, há uma semana, os islâmicos fazem protestos em todo o país.

Algumas dessas manifestações terminaram com violência, sendo a mais grave delas na última segunda, quando 55 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas.

Ontem, o primeiro-ministro interino, Hazem el-Beblawi, ofereceu ministérios aos integrantes do movimento. Porém, o membro do comitê legislativo da agremiação Gamal Tag el-Din disse que “não pretendem cooperar com um regime ilegítimo que chegou (ao poder) após um golpe”.

O plano proposto pelo governo interino prevê, sobretudo, a aprovação de uma nova Constituição por referendo, após emendas, e a realização de eleições legislativas no início de 2014. Durante a transição, o país permanecerá sob comando do presidente interino Adly Mansour.