Há exatos dez dias, estudantes do movimento estudantil da Unesp de Bauru ocupam o prédio onde funcionará o Restaurante Universitário (RU) da instituição de ensino, localizado em frente ao Ginásio Guilhermão. Dentre dezenas de pedidos, em uma pauta extensa, eles pedem, mais uma vez, a construção de novo bloco de salas de aula, além da edificação do segundo bloco de moradia estudantil. A reportagem foi até o RU na tarde de ontem e procurou os estudantes, membros do movimento estudantil e simpatizantes. Eles preferiram não conceder entrevista e se manifestaram por meio de uma carta aberta, enviada à reportagem através de e-mail.
“Totalizamos nove cursos em greve tanto da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação, quanto da Faculdade de Ciências, sendo eles: psicologia, design, arquitetura, artes, radialismo, jornalismo, relações públicas, ciência da computação e pedagogia. Estamos em luta pelas pautas específicas do campus de Bauru: representação paritária nos órgãos colegiados e conselhos de curso; contratação de professores efetivos em tempo hábil e com transparência no processo de contratação; regulamentação da avaliação dos professores de todas as unidades pela Pró-reitoria de Graduação; participação ativa e paritária dos estudantes e funcionários em uma revisão do Plano Diretor do campus”, dizia o documento.
Na carta aberta, os estudantes informaram que a ocupação acontecerá por tempo indeterminado, até que as pautas sejam atendidas e negociações a respeito da melhoria da qualidade do ensino público sejam realizadas. “Consideramos justas e legítimas nossas revindicações, e por isso exigimos a não retaliação aos estudantes durante o período de ocupação, assim como uma reunião imediata com o grupo administrativo do campus”.
Para o vice-presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) e vice-diretor da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp de Bauru, Olavo Speranza de Arruda, apesar de o movimento estudantil tratar o assunto como ocupação, para a universidade trata-se de uma invasão. “Não apoiamos de forma isso que eles chamam de ocupação, mas na verdade é uma invasão. Eles sabem que nós queremos que eles saiam, inclusive temos uma reunião marcada para amanhã (hoje), onde isso vai ser reforçado. Eles devem desocupar, até por segurança. Não é um local adequado para permanência de pessoas. Eles levaram botijão de gás, fogão, e isso é perigoso”, explicou.
Arruda salienta que foi feito boletim de ocorrência para registrar o fato, e justifica que muitas das dezenas de reivindicações do movimento estudantil não cabem ao campus de Bauru, mas à reitoria e que tudo será estudado. GAC e movimento estudantil devem se reunir hoje, às 14h, para conversar novamente.