A morte do funkeiro MC Daleste no sábado, dia 5, trouxe à tona discussões sobre o papel desse gênero musical na sociedade. As opiniões divergem bastante. De um lado, uns lamentam sua morte. Do outro, comemoram. Afinal, as letras de suas músicas incitavam a criminalidade. É preciso lembrar, entretanto, que músicos como Eric Clapton e Kurt Cobain faziam apologia às drogas em suas letras. Não muito distante, mais recentemente, Amy Winehouse cantava sua autodestruição, enquanto seu público a aplaudia.
Uma letra de música, penso eu, não é capaz de incentivar alguém a cometer um assassinato ou furto, aliás, tampouco é digna de decidir se o autor merece ou não morrer. Dentro de um ambiente existem inúmeros aspectos que podem levar um indivíduo a cometer crimes. Deve-se analisar o contexto social como um todo e entender o que o funk representa, ao invés de frisar em casos pontuais de letras e julgar precocemente o papel deste gênero naquele meio.
Eu posso provar com argumentos sólidos que a desigualdade social é um fator que influencia a criminalidade, assim como o desemprego; o racismo e, se bobear, até mesmo o machismo. Mas não. Não há nada que comprove que uma melodia leve alguém a matar. Este é um conceito equivocado, enraizado em uma sociedade elitista, que reconhece como cultura somente aquilo que lhe agrada, ou então o que é erudito. Música de pobre, favelado, cultura? Nunca. Isso é crime.
Rafael Ayala - Ocupação: estudante de jornalismo da Unesp - não represento nenhuma instituição