10 de julho de 2026
Política

Manifestantes desocupam a prefeitura

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Manifestantes desocuparam ontem, por volta das 9h, o prédio da Prefeitura de Bauru. O local havia sido tomado por dezenas de integrantes do movimento Bauru Acordou”, estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Movimento Sem-Terra (MST), no início da manhã de quinta-feira. A saída ocorreu de forma tranquila, após a ocupação completar 24 horas. A decisão decorreu de deliberações em assembleias pelos próprios manifestantes, que deixaram o prédio após a entrega de uma notificação destinada ao prefeito Rodrigo Agostinho.

No documento, assinado pelo movimento Bauru Acordou, os manifestantes pedem que o chefe do Executivo atenda as reivindicações feitas pelo grupo e se manifeste até as 14h de segunda-feira, dia 15, por meio de coletiva de imprensa.

Na pauta, estão questões como a revogação imediata do aumento da tarifa do transporte público e o fim da taxa de integração e da tarifa diferenciada, que já haviam sido solicitados em mobilizações anteriores.

Ao final da notificação, um parágrafo deixa claro que o não atendimento das reivindicações pelo Executivo será entendido como descaso à população e ao movimento, que promete nova onda de manifestações diante do descumprimento.

“Os três movimentos decidiram deixar o prédio, após a ocupação completar 24 horas. Entregamos uma notificação que dá um prazo para que as pautas deliberadas em assembleias sejam atendidas”, informaram ontem os representantes do grupo, Renata Cézar e Igor Fernandes, já do lado de fora do prédio.

Antes de deixarem o local, os ocupantes fizeram uma limpeza, deixando para trás apenas os cartazes pendurados em toda a fachada da prefeitura e uma mensagem irônica escrita com batom no espelho do elevador do prédio: “Te deixo um beijo, Rodrigo”.

Resposta

Cerca de meia hora após a desocupação da prefeitura, Rodrigo Agostinho chegou ao local e, já informado por seu assessor sobre a notificação, informou que tentaria medidas alternativas em uma reunião junto à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

“Eu deixei muito claro para eles. A prefeitura não tem como bancar o passe livre, teríamos que tirar o dinheiro de outras obras. Estamos estudando muitas melhorias, mas as reivindicações tarifárias não temos como atender. Então, já é de se esperar que novas manifestações ocorram”, ressalta o prefeito, em tom de lamentação.

Agostinho acrescentou que não dará detalhes acerca do conteúdo discutido na reunião realizada ontem com representantes da Emdurb.

Na rodada de negociações realizada na noite de quinta-feira, o prefeito já havia informado ao grupo que a exigência de revogação do aumento não era viável e que a prefeitura não poderia arcar com as multas e prejuízos decorrentes do rompimento do contrato com as empresas que operam o transporte público na cidade.

O chefe do Executivo, contudo, atendeu a reivindicações dos dois outros grupos, se comprometendo a cobrar da reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) a documentação para viabilizar a iluminação pública na região das moradias estudantis e implantar uma linha de ônibus até o local. Além disso, Agostinho também se prontificou a acompanhar o Movimento Sem-Terra em audiências junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Os manifestantes do movimento Bauru Acordou se reunirão às 15h deste domingo, na praça Rui Barbosa, para realizarem um balanço sobre as ações.

Conforme o JC havia antecipado, uma audiência pública também foi marcada pelo prefeito para discutir o transporte público na cidade. O encontro ocorrerá às 18h da próxima quarta-feira, em local ainda a ser divulgado.


Sem prejuízo

Após a saída dos últimos manifestantes, por volta das 9h, policiais militares verificaram as condições do local e liberaram o efetivo de plantão dentro do imóvel.

“Não houve registros de danos nem incidentes. Apesar da ação já ter finalizado, manteremos um efetivo na porta da prefeitura até o final do dia (de ontem)”, comentou o capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, acrescentando que não houve prejuízo ao policiamento ostensivo no resto da cidade, já que os policiais em plantão no interior e em frente ao prédio eram do efetivo administrativo e estariam em folga se não houvesse o manifesto.

Conforme a polícia, 27 manifestantes acamparam na madrugada de ontem no prédio da prefeitura. E, segundo a organização do movimento, 300 pessoas passaram pelo local durante as horas de ocupação.


Atendimentos

Tanto o atendimento ao público quanto o trabalho dos servidores, ao contrário da mobilização de ontem, não foram afetados pelas ações de ontem, conforme explica o chefe de gabinete da prefeitura, Marcelo Araújo.

“O pessoal entrou para trabalhar normalmente pelo acesso da porta lateral e o público estava sendo atendido no segundo andar”, comentou Araújo.