No dia 12 de junho deste ano, uma descarga elétrica durante uma tempestade queimou o único aparelho de raio-x da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Núcleo Mary Dota. Passados 30 dias, o equipamento permanece desativado devido à burocracia imposta para o conserto.
A maior penalizada, invariavelmente, é a população. A cada dia, cerca de 300 pessoas são atendidas na unidade. Há um mês, as que precisam ser submetidas a exame de radiografia estão sendo encaminhadas em uma ambulância para a UPA do Jardim Bela Vista.
“É um grande transtorno aos usuários. Muitos pacientes são idosos, ou estão com dor, indispostos e ainda precisam se deslocar de uma unidade para outra para fazer um exame simples”, critica o presidente do Conselho Gestor da unidade, Cristiano Alves Priolo da Silva.
De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, a demora ocorre em razão dos trâmites burocráticos necessários para que o conserto, orçado em cerca de R$ 8 mil, possa ser realizado. Entre as etapas a serem cumpridas, está o acionamento de técnicos autorizados pelo fabricante, análise do dano, realização e aprovação de orçamento, além do empenho, que autoriza a liberação do recurso.
“Ainda é preciso enviar para análise do setor financeiro e aguardar retorno. Estamos empacados porque, ao longo do processo, existem regras rígidas a serem obedecidas pela prefeitura”, pondera Sabbag. O prazo de garantia do equipamento, adquirido em 2011, já tinha expirado.
Segundo o diretor do DUE, não é possível prever quando o aparelho de raio-X será consertado. Enquanto isso, os pacientes continuarão sendo encaminhados à UPA do Bela Vista, o que, segundo Cristiano Silva, acaba sobrecarregando os serviços da outra unidade.
Além de criticar a demora para o conserto do equipamento, o presidente do Conselho Gestor da UPA do Mary Dota revela que a unidade sofre com várias torneiras de pias e de tanques quebradas. “E a única cadeira de rodas grande que tinha lá também está quebrada”, completa. Sabbag diz desconhecer o problema.
Repasses
Silva também afirma que a UPA foi descredenciada pelo Ministério da Saúde por desrespeitar as normas e procedimentos estabelecidos pelo órgão e que, por isso, não pode mais receber repasses do governo federal. Mas Sabbag esclarece que a unidade nunca foi custeada pela União e que ainda pleiteia o cadastramento para o recebimento de recursos. Atualmente, apenas a UPA do Bela Vista conta com esse tipo de auxílio.
“A UPA do Mary Dota foi a única totalmente construída com recursos do município, diferentemente das UPAs do Bela Vista, Ipiranga e Geisel, que foram doadas pelo Ministério da Saúde”, esclarece.
A unidade não contou com recursos federais por ter sido construída em um prédio já existente. Mesmo assim, pode solicitar o recebimento de recursos mensais para a manutenção das atividades. Para tanto, técnicos do ministério já realizaram vistoria e pediram algumas adequações estruturais pontuais, sendo a ampliação da sala de emergência a mais importante delas.
Assim que a reforma for concluída, uma nova visita será realizada no local para autorizar o repasse. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde foi acionada pela reportagem para comentar o assunto, mas disse que só poderia se manifestar na próxima semana.
Repasses do governo federal
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista é a única que recebe repasses do governo federal. O montante, de R$ 250 mil mensais, corresponde à metade do valor necessário para manter o local em funcionamento. O restante é desembolsado pela Prefeitura de Bauru, que precisa comprovar, por meio de relatórios, o volume de consultas e procedimentos realizados pela unidade.
A administração municipal também já solicitou o cadastramento das UPAs da Vila Ipiranga e Núcleo Geisel – esta última ainda não inaugurada. Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, a reforma necessária para que a UPA do Mary Dota se adeque às exigências do Ministério da Saúde só deve ser realizada após a inauguração da UPA do Geisel/Redentor.
“Para que a sala de emergência seja ampliada, precisamos suspender o funcionamento da unidade. E isso só poderá acontecer quando tivermos a outra UPA em atividade para desafogar a demanda”, pontua. Embora já esteja pronta, a unidade do Geisel ainda não foi inaugurada devido à falta de médicos.
Todos os 22 profissionais aprovados em concurso público foram chamados para o trabalho, mas apenas quatro se apresentaram até agora. De acordo com Sabbag, para o funcionamento mínimo da unidade, seriam necessários 14 médicos.