“Cientista contemporâneo, cujo interesse maior se concentra nas questões atuais envolvendo as relações da produção do conhecimento humano...”. Gilberto Gil, sobre Alberto Consolaro. Colunista do Jornal da Cidade, todas as segundas-feiras escreve sobre ciência e tecnologia, o estudioso lança seu sétimo livro, “Queremos Saber!, um Guia para Curiosos e Questionadores” (Ide@ Editora, 327 páginas).
A obra, que reúne os 100 primeiros artigos, publicados em dois anos de JC, é prefaciada pelo cantor, compositor e ex-ministro da Cultura.
Com a mesma premissa adotada desde as primeiras linhas publicadas pelo acadêmico no jornal, o livro esmiúça curiosidades científicas e tecnológicas de uma maneira palpável a leitores de todos os níveis e faixas etárias.
Para Consolaro, o mais importante é a democratização do conhecimento, sem cifras acadêmicas que, ao invés de difundir sabedoria, afastam potenciais leitores. “Quando começamos a trabalhar com jornal, a ideia era traduzir assuntos em maior evidência, naquela semana, no campo científico”, comenta.
Cientista, professor universitário na USP/Bauru e patologista, Consolaro diz que a atividade jornalística lhe completa. Atualmente, ele já está na marca dos 150 artigos escritos, num prenúncio de novo livro em breve, antes mesmo do lançamento oficial de “Queremos Saber”.
Apesar de já disponível em grandes livrarias do País, como Saraiva e Cultura, a obra será apresentada oficialmente ao publico em Bauru, numa aula-show marcada para o dia 23 de julho (terça-feira), às 20h, no Teatro Municipal.
A iniciativa, apoiada pela Secretaria Municipal da Cultura e Jornal da Cidade, será permeada por música e seguida pela mesa redonda “Ciência e Religião, Fé ou Ousadia?”, com a participação de um pastor evangélico, um representante da doutrina espírita e um padre, além do cientista. Debaterão, em tempo regimental, a interação (ou a falta dela) entre ciência e religião. “Tudo em alto nível”, garante o professor.
O debate será mediado pelo jornalista João Jabbour, editor do Jornal da Cidade, que enaltece a iniciativa do colunista em reunir, em livro, os textos publicados no JC, bem como o trabalho de adaptação do linguajar científico para um formato direcionado a todos os públicos leitores.
“Ele escreve de forma fácil, didática e inteligente, decodificando a ciência para o leitor com pitadas de bom humor e comparações que nos fazem penetrar, por vezes, no mundo microscópico da célula ou entender a gênese da vida”, recomenda o editor.
Jornalismo científico
Apesar do maior número de publicações direcionadas ao público leigo, o jornalismo científico, para o autor de “Queremos Saber” ainda é um rincão jornalístico pouco explorado no Brasil.
“Já evoluímos bastante. Hoje temos pós-graduação na área e alguns cientistas se tornaram jornalistas científicos. O pioneiro, no Brasil, foi o J.Reis (que morreu em 2002), um baluarte”, valoriza. “Ele (Reis) aproximou a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) dos jornais”, credita. “Então há uma aproximação. Mas ainda há um espaço muito grande a ser percorrido”, pondera.
Segundo ele, ainda há um “cabo de guerra” entre comunidade acadêmica e profissionais de comunicação. Enquanto alguns jornalistas não toleram o linguajar estritamente técnico (e, inevitavelmente, cifrado ao grande público) os estudiosos, em boa parte dos casos, não “confiam” nos jornalistas. “O cientista quer muito controlar o que o jornal vai publicar. Em contrapartida, o jornalista, é claro, não quer deixar”, descreve. “O jornalista tem de trabalhar do jeito que acha melhor”, considera.
Simplicidade: caminho da pluralidade
Simplificar para explicar mais sobre tudo. Basicamente, esse é um dos mecanismos empregados pelo pesquisador no mais recente livro.
Consolaro diz que, antes de tudo, a função é ensinar. Contudo, de nada adianta textos quilométricos recheados de termos técnicos e padrões “academicamente” corretos, mas sem empatia com o leitor. “Sempre quis na vida ser professor. Fazer o outro aprender me fascina. E mais, ninguém ensina nada a ninguém. Acontece de se induzir o outro a aprender”, diferencia.
Mas ensinar, acentua, é orientar o aprendiz a seguir o próprio caminho das descobertas e não ser o “dono da verdade”, observa o autor. “Nas minhas aulas, sempre procurei ser profundo, mas com simplicidade e questionando o aluno para que o mesmo se inquiete e busque o estímulo ao aprendizado”, detalha.
A mesma postura é direcionada aos textos, em jornal ou livro: “Em todo capítulo, no final, caso eu conclua que ‘fiz a cabeça’ do leitor, refaço o texto. Minha missão é dar um pouco de argumento para que o próprio leitor chegue às conclusões que não, necessariamente, sejam as minhas”, acentua o professor, parafraseando Clarice Lispector, ao citar um dos mantras que segue ao iniciar qualquer projeto. “Não se enganem senhores, atrás da simplicidade há muito trabalho”.