07 de julho de 2026
Geral

Obra é compêndio científico e tecnológico

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Em 1976, Gilberto Gil lançava o álbum “O Viramundo”. No disco, a faixa “Queremos Saber” indaga, entre outras dúvidas numa época em que muitos brasileiros ainda assistiam TV em branco e preto e computador era sonho ou artigo de filme de ficção científica, se algum dia teríamos “raio laser” mais barato. Hoje temos desde o laser dos alarmes, aparelhos de som e vídeo e em equipamentos médicos.

Da mesma forma com que o cantor e compositor baiano sempre enxergou o mundo a frente do tempo nas canções, o pesquisador Alberto Consolaro crava algumas “previsões”. No caso do pesquisador, o veredito do futuro é embasado pela ciência.

No livro, que pode ser lido “a granel”, pois os capítulos não são interligados, indagações como “por que as pessoas têm câncer” se misturam a temas até mesmo “spielbierguianos”, mas que, diferentemente do cinema, são pura realidade, como o texto em que Consolaro fala sobre uma mudança de casa, não de uma pessoa ou família, mas da humanidade.

“Em 2.600, a energia produzida na Terra será tão grande que o planeta vai derreter. Neste capítulo, falamos: na sala do seu pai tem uma fotografia do seu tataravô. Mas você, quando for tataravô, não terá seu retrato exposto. A população estará de mudança. É questão de cinco, seis gerações”, teoriza.

Para ele, não se trata de alarmismo ou frieza científica. A informação, por mais intrigante ou mesmo incômoda, deve ser sempre a maior ferramenta da humanidade. Sem conhecimento, aponta o pesquisador, o misticismo é a via a ser percorrida.

“O homem quer e precisa saber. Caso não obtenha respostas, ele vai busca-las no misticismo. Aí mora o perigo”, considera. “Sócrates dizia: todo mal vem da ignorância. O bem vem do saber. A ignorância traz o medo, a loucura. O Saber leva ao raciocínio, ao planejamento”, diferencia.

Gilberto Gil

“Livro que reúne fragmentos das incontáveis investidas do conhecimento humano sobre essa cidade inexpugnável do mistério”. De forma inconfundível ao seu estilo, o cantor, compositor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, prefacia o livro do professor Consolaro.

Assim que denominou a obra com título semelhante ao da música gravada no final dos anos 1970, também muito conhecida na interpretação de Cássia Eller, o pesquisador idealizou a participação do artista baiano, que não hesitou em contribuir com a obra. “Tínhamos amigos em comum em Salvador”, conta. “Quando ouvi a música imaginei logo imaginei o título. Nos encontramos no Rio de Janeiro e o convidei para escrever o prefácio”, detalha.

Consolaro destaca o perfil visionário do compositor que, assim como a obra, apresenta ciência, tecnologia e mistérios em linguagem universal. “Pela onda luminosa, levo o tempo de um raio, tempo que levava a Rosa, para aprumar o balaio”, comparou, em outra canção, o mesmo Gilberto Gil, sobre comunicação e, ao mesmo tempo simplicidade.


Quem é Alberto Consolaro

Patologista, o autor (que apresenta sua sétima obra) é formado na Unesp de Araçatuba. Mestre pela Unicamp e doutor pela USP, é professor na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), onde atua tanto na graduação quanto pós-graduação. Colunista do JC há dois anos, como jornalista, já idealiza novo livro, também na linha ciência “sem mistério”.


Repercussão

A obra chamou atenção da produção do programa apresentado por Jô Soares, que teve Consolaro como convidado. A entrevista foi gravada semana passada, no estúdio da TV Globo em São Paulo. A atração, estima o autor, deve ser exibida no final do mês ou início de agosto. A emissora ainda não definiu a data exata de apresentação da entrevista.