09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ainda sobre o filme dublado


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Li, surpreendido, a carta do leitor Ronaldo Meneguetti Cardozo, respondendo ao causídico, eu, e minha filha, sobre sua discordância quanto à preferência da maioria pelo filme dublado na TV paga, publicada na edição de domingo, dia 14. Diga-se, inicialmente, que quem escreveu foi o telespectador, não o causídico e sua filha. Nada a ver. Creio que o missivista não entendeu o que escrevi. Não tenho preferência pelo filme original, geralmente em inglês, porque fale inglês fluentemente. Muito pelo contrário. Prefiro o som original, com as legendas em português, não porque seja contra o idioma pátrio, língua que falo e escrevo, mas porque a dublagem distorce os diálogos e nos impede desfrutar o que o artista transmite com sua própria voz, principalmente quando esta faz parte de sua figura. Também não vejo nada a ver com esperanto, citado pelo discordante, uma língua que se pretendia universal, mas que não vingou.

Lembro-me de uma comédia antiga, na qual o artista estava em Tóquio, num hotel. Ligou a televisão e apareceu um filme com Gary Cooper, dublado em japonês. Imagine um astro dos filmes de far-west, como Gary Cooper, em quem uma de suas características era a sua voz inconfundível, falando em japonês. Foi tão ridículo ao ponto de ser incluída na comédia para riso do assistente (com todo o respeito pela língua pátria da colônia nipônica).

Não fui nem sou radical, porque é tudo uma questão de preferência. Propus e mantenho que os canais exibam os filmes dublados ou no som original legendados, deixando ao telespectador a oportunidade de exercer seu direito de escolha, um ou outro, em posição contrária a dos canais de filmes, que pretendem aumentar cada vez mais os filmes apenas dublados, sem essa opção, como já acontece com vários, basta conferir.

Faukecefres Savi, leitor e assinanante da TV paga