08 de julho de 2026
Política

Prefeito discute com ?Bauru Acordou?

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

 

 

Fotos: Aceituno Jr.

 

A partir da chegada à Câmara, jovens do ‘Bauru Acordou’ se misturaram aos vereadores

 

Rodrigo Agostinho e Nico Mondelli explicaram o contrato com as empresas de ônibus

Foi tenso o clima da reunião pública realizada ontem na Câmara Municipal. O transporte público foi discutido entre o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), vereadores e membros do grupo “Bauru Acordou”. Os manifestantes voltaram a reivindicar a revogação imediata do aumento da tarifa dos circulares e marcaram nova assembleia para o próximo domingo.

A sede do Poder Legislativo foi cercada e ocupada por policiais militares. O acesso às áreas administrativas e dos gabinetes dos parlamentares foi impedido. Aproximadamente 70 manifestantes adentraram ao prédio por volta das 18h30, logo no início da fala do prefeito.

O discurso foi interrompido pelos gritos e palavras de ordem do grupo. Em muitos momentos da reunião, a situação se repetiu em função da insatisfação dos manifestantes com as explanações e respostas de Rodrigo, Nico e outros técnicos da Emdurb.

Em alguns momentos, os jovens deram as costas para as autoridades e, em algumas ocasiões, vaiaram.

A empresa Oficina, contratada para elaborar projeto de remodelação do sistema de transporte público, não enviou representantes, ao contrário do que fora prometido por Agostinho ao grupo, durante a ocupação do Palácio das Cerejeiras na semana passada.

Os vereadores também foram bastante pressionados pelo grupo, que cobrava assinaturas para a instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar eventuais irregularidades na tarifa.

Um dos momentos mais tensos foi quando Markinho da Diversidade (PMDB), ao começar sua fala, disse que “poderia estar em casa”. Os manifestantes gritaram para que o parlamentar se retirasse, o que aconteceu cerca de 10 minutos após o episódio.

Natalino da Pousada (PV) também foi questionado por ter assinado o pedido de instauração da comissão e retirado o apoio no mesmo dia. O vereador respondeu que foi enganado e não sabia do que se tratava. Logo sem seguida, Roque Ferreira (PT), autor da propositura, afirmou que, na Câmara, “ninguém é bobo”.

Telma Gobbi (PMDB), que passou a integrar, anteontem, a comissão especial para analisar a qualidade do transporte público, - em razão da renúncia de Moisés Rossi (PPS) - também foi hostilizada pelos manifestantes.

Participaram da reunião Telma, Sandro Bussola (PT), Carlão do Gás (PR), Lima Júnior (PSDB), Roque Ferreira (PT), Faria Neto (PMDB), Markinho, Natalino (PV), Fabiano Mariano (PDT) e Renato Purini (PMDB). No entanto, apenas os cinco primeiros permaneceram até o final.

Reação

Em alguns momentos, o prefeito mostrou irritação e reagiu de forma ríspida a questionamentos. Ao diretor da TV Bauru, Paul Sampaio, afirmou, no microfone, que não daria a ele um cargo na prefeitura. “Você pediu no facebook”. A “acusação” foi negada pelo interlocutor, que encerrou sua primeira intervenção chamando Rodrigo de imbecil.

O presidente da Emdurb, Nico Mondelli também respondeu a alguns questionamentos dos jovens e acabou criando “armadilhas” para si. Seu nervosismo chegou ao auge no momento em que um motorista do transporte coletivo acusava o órgão público de defender os interesses das empresas concessionárias.

O assessor técnico da empresa municipal Carlos Kleberson Ferreira disse ao um dos membros do grupo, Igor Fernandes, que era difícil dialogar com manifestantes que “não têm embasamento”, gerando grande revolta entre os membros do “Bauru Acordou”.

Kleberson Ferreira, inclusive, foi acusado de ter intimidado manifestantes e motoristas durante a audiência, mas negou a prática.


Manifestantes cobram qualidade no serviço

A reunião pública, que deveria ter duas horas de duração, se alongou até as 22h30. Todos os representantes do “Bauru Acordou” que se inscreveram tiveram direito à fala.

Renata Cézar foi a primeira delas e pontuou, junto com coro organizado dos demais manifestantes, as deficiências nos sistema: falta de qualidade, comodidade, conforto, rapidez, segurança e pontualidade.

A jovem também criticou a apresentação da Emdurb em função das informações genéricas, que, segundo outros membros do grupo, fugiam dos temas que norteiam as reivindicações ao poder público. “A responsabilidade é sua, prefeito!”.

Outra intervenção de destaque foi de Rafael Aguiar, que abordou a renovação do contrato com a empresa Grande Bauru e sugeriu que, nas próximas licitações, seja estipulado teto percentual de lucro das empresas concessionárias. Muitos dos membros do grupo também cobraram a volta dos cobradores.

O motorista do transporte coletivo Richard da Cruz Fernandes elencou problemas do dia a dia, como a falta de segurança nos circulares, e deficiências no sistema. “Quando um carro quebra, o usuário espera duas horas para tomar outro. E que tipo de integração é essa? O estudante vai para a aula e, se não tem nada, tem que pagar outra condução”, ressaltou.

Líder da comissão de motoristas e cobradores, independente do sindicato da categoria e que mobilizou as recentes paralisações do serviço, Valter Dutra afirmou que os trabalhadores podem voltar a circular com catraca livre a partir da semana que vem, caso as empresas não cumpram acordo firmado na Justiça acerca do plano de saúde dos funcionários.

Também foram resgatados episódios da última greve. Richard confirmou que “sumiu” com Valter da cidade para evitar que ele fosse notificado sobre a determinação para retomada imediata do serviço.

Fernandes também acusou Nico Mondelli e o prefeito por não negociarem com a categoria.

O transporte coletivo não foi o único alvo do grupo “Bauru Acordou”. Igor Fernandes questionou o inchaço da máquina pública e o excesso de cargos comissionados na Emdurb. Rodrigo também foi questionado sobre a UPA do Geisel/Redentor, que já está pronta, mas não foi inaugurada por falta de médicos.


Os números

O “Bauru Acordou” tem três reivindicações imediatas: a revogação do aumento da tarifa, o fim da cobrança por integração e a extinção da diferenciação da cobrança pelo pagamento em dinheiro ou cartão.

De acordo com a Prefeitura de Bauru e a Emdurb, porém, o impacto anual dessas medidas seria de R$ 790.600,00 ao mês; ou quase R$ 9,5 milhões ao ano. “Nós não temos verba para subsidiar isso”, frisa Rodrigo Agostinho.

O prefeito, porém, reconhece a deficiência no sistema e diz que as linhas são poucas e longas demais. As soluções estariam no estudo de remodelagem, que deve ser concluído em novembro, e no PAC Mobilidade Urbana, que prevê a construção de três terminais, mas depende de autorização legal da Câmara Municipal, por implicar em empréstimo de quase R$ 13 milhões.

Antes de adentrarem o plenário do Legislativo, manifestantes se reuniram na Rodrigues