08 de julho de 2026
Esportes

Basquete: troca de experiências

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Aos 40 anos, o treinador Rafael Monclova aproveita o período de pré-temporada na Europa para fazer intercâmbio e trocar conhecimento com técnicos e atletas de outros países. O destino do espanhol foi o Brasil, onde passou duas semanas em Franca e agora fica mais duas semanas em Bauru.

Além destes dois celeiros do basquetebol nacional, Monclova ainda passou por São Sebastião do Paraíso, cidade que sedia a primeira etapa da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), competição em que o Paschoalotto/Bauru luta pelo bicampeonato.

Rafael Monclova recebeu o convite para vir ao Brasil durante a passagem dos técnicos Guerrinha (Bauru Basket) e Lula Ferreira (Franca) pela Espanha, em junho, onde puderam conhecer mais sobre o basquete do país, que vem se destacando internacionalmente nos últimos anos. Além de comandar as divisões de base do Sevilla, Monclova também integra a comissão técnica das categorias de base da seleção da Espanha. O treinador conversou com o JC sobre a passagem por Bauru. Confira os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Foram duas semanas em Franca, agora mais duas em Bauru. Qual o objetivo do trabalho?

Rafael Monclova – O objetivo é mostrar a metodologia de trabalho que temos na Espanha. Quando o Lula e o Guerrinha estiveram na Espanha, viram que poderiam aplicar isso aqui no Brasil, e me chamaram para vir aqui e trabalhar com os jovens, fazer um intercâmbio de experiências. É uma experiência boa para ambos, e creio que está sendo bastante produtiva.

JC - Na Espanha você trabalha com categorias de base, e aqui está fazendo um intercâmbio com base e profissional. Existe muita diferença?

Monclova – O trabalho que viemos fazer serve tanto para a formação como para o time principal. É um trabalho de melhora de técnica individual, e da parte tática, pois entendemos que a melhora individual gera uma melhora coletiva. Por isso damos muita importância à técnica e tática individuais, e os jogadores sempre podem melhorar, mesmo no time adulto.

JC - Pelo que viu em Franca e em Bauru, dá para aprender com o basquete do Brasil?

Monclova – Todos sempre tem muito a aprender. Espero que coisas que trabalhamos aqui possam ajudar os brasileiros e vice-versa. Fui a Franca e a São Sebastião do Paraíso, o Brasil tem muita sorte de ter jogadores com o perfil do basquete, com boa estatura e força, e isso é muito importante.

JC - A Espanha se destacou muito nos últimos anos. Qual a diferença que você percebeu do basquete espanhol com o basquete no Brasil?

Monclova – A Espanha é um país pequeno, temos poucas pessoas com boa estatura. Há 15 anos, estamos conseguindo ser uma potência internacionalmente, mas temos uma população bem menor, ou seja, menos gente com perfil para a modalidade, por isso temos que trabalhar muito bem a parte técnica. Temos que dar ferramentas aos jogadores para que possam trabalhar.

JC - O Brasil ficou muito tempo fora de Olimpíadas, jogou em 1996 e depois só em 2012. Até que ponto isso atrapalha?

Monclova – Creio que houve o problema físico de jogadores importantes, a ausência de jogadores importantes nesse período. O Brasil tem tudo para ser uma potência na modalidade e competir contra quem quiser, o país talvez tenha demorado para trabalhar com a base, isso é algo que pesa. Mas é um país que tem tudo para ser referência mundial.

JC - Quantas vezes já fez este tipo de intercâmbio?

Monclova – É a primeira vez que estou fazendo isso. Mas além de trabalhar no Sevilla, sou da seleção também, então sempre estamos tendo contato com profissionais de fora, participando de clínicas e palestras. Estou gostando do trabalho no Brasil, tanto o Lula (Ferreira, de Franca) como o Guerrinha (Bauru) são dois grandes profissionais, que estão sempre buscando aprender mais também. Espero poder ajudá-los, para que tenham uma grande temporada.

JC - Chegou a ver o sub-22 de Bauru na LDB? Algum destaque individual?

Monclova – Vi alguns jogos, e no sábado passado conversei com todos eles e também com jogadores de outras equipes. Vários atletas me chamaram a atenção, vários garotos estão bem, jogadores que em breve poderão estar aqui no profissional. Não me recordo do nome, mas gostei de um pivô de Bauru que teve boas atuações nos jogos que eu vi (referindo-se a Kesley Araújo).

JC - Na Espanha, qual o jogador brasileiro mais conhecido quando se fala em basquete?

Monclova – O Oscar Schmidt, ele é o mais famoso. Mas atualmente as pessoas conhecem muito o Marcelinho Huertas, o Victor Faverani, Paulão Prestes e também o Tiago Splitter, que foi bem na Espanha e agora está na NBA.