09 de julho de 2026
Nacional

Eventos com presença do papa equivalem a show de Natal e dois Réveillons

Agências
| Tempo de leitura: 6 min

Sergio Moraes/Reuters

Local da missa do papa Francisco é preparado em Guaratiba

A Prefeitura do Rio anunciou ontem o esquema especial de mobilidade para a visita do papa Francisco à cidade, de 23 a 28 deste mês. O transporte público será reforçado, mas será preciso caminhar até três horas, por 13 quilômetros, para ver o pontífice. São esperados 800 mil turistas e um público de 1,5 milhão de pessoas nas solenidades com a presença do papa nos dias 25 e 26, em Copacabana, na zona sul, e no dia 28, em Guaratiba, na zona oeste.


“Tudo é preocupante. Fazer um evento desses, imaginar que Copacabana terá um evento equivalente a um show de Natal (missa de abertura, dia 23) e a dois Réveillons (chegada do papa e Via Crucis, dias 25 e 26), na mesma semana, quando você acha que pode descansar, tem outro Réveillon em Guaratiba. Isso exige um esforço enorme”, disse o prefeito Eduardo Paes.


Para organizar a chegada e a saída dos eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), entre os dias 23 e 28, haverá interdições no trânsito e será proibida a circulação de ônibus com turistas na cidade. São esperados 10 mil veículos, que serão cadastrados pela Polícia Rodoviária Federal, ainda nas estradas, ao chegar ao Rio, que terão estacionamento e percurso preestabelecidos. Os demais ônibus, fretados por condomínios e de linha fixa, não serão afetados.


Com as interdições no trânsito, o grande desafio será o acesso e a dispersão do público dos eventos. A prefeitura pede que os peregrinos usem somente o transporte público, como o metrô, para chegar a Copacabana, e o trem, para ir a Guaratiba. Porém, antecipa que pontos de desembarque no entorno dos bairros serão obrigatórios e as pessoas terão que andar a pé para chegar às missas. Em Guaratiba, serão 13 quilômetros, o equivalente a três horas de caminhada.


“A recomendação é usar sapatos confortáveis, roupas leves, não carregar muito peso e estar preparado para fazer esse trajeto (13 quilômetros), cada um no seu tempo. Essa é a distância média do Recreio, de Santa Cruz e de Campo Grande ao Campus Fidei (local da missa final - veja quadro)”, aconselhou o secretário de Transportes, Carlos Osório. Ele estima que a dispersão da celebração levará dez horas.


De legado para a cidade, o prefeito Eduardo Paes anuncia a ampliação de oito para 17 do número de quiosques de atendimento ao turista e a instalação de 4 mil postes e banners de sinalização. Mapas e guias de turísticos também serão distribuídos aos turistas.


A prefeitura não antecipou o montante de recursos que serão aplicados na Jornada Mundial da Juventude. Eduardo Paes prometeu divulgar gastos com limpeza urbana, saúde e segurança depois do evento.



Indulgência via TV e Twitter


Em mais um esforço para se atualizar, o Vaticano anunciou que o papa Francisco dará indulgências aos fieis que seguirem a Jornada Mundial da Juventude pelas redes sociais e pela TV. Com isso, pela crença católica, passarão menos tempo no purgatório após a confissão e absolvição dos pecados.


A informação foi dada pelo arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, em entrevista ao jornal “Corriere della Sera”. Ele, no entanto, explicou que não basta seguir o papa pela sua conta oficial no Twitter, onde tem 2,6 milhões de seguidores.


“Não se pode obter indulgências como se fosse pegar um café na máquina”, afirmou. Entre os passos dos católicos para obter a indulgência, que na Idade Média era vendida ilegalmente por clérigos, estão a confissão dos pecados, a oração e o comparecimento à missa.


Tradicionalmente, os papas oferecem as chamadas indulgências plenárias aos que participa da Jornada Mundial da Juventude, que começa na próxima terça-feira, no Rio.



Ocupação em hotéis já chega a 60%


A ocupação média dos hotéis do Rio de Janeiro no período da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) está em 62%, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ). O encontro internacional de jovens católicos será realizado entre os dias 23 e 28 de julho na Capital fluminense.


O papa Francisco chega ao Brasil na segunda-feira, na primeira viagem ao Exterior do seu pontificado. Francisco passará uma semana no Rio para comandar as celebrações da JMJ.


As regiões mais procuradas pelos visitantes são centro (69,53% dos quartos ocupados), Copacabana e Leme (68,35%), Ipanema e Leblon (57,31%) e Barra da Tijuca (47,18%).


De acordo com a pesquisa, os hotéis de três e quatro estrelas têm 63,78% dos quartos reservados. Já o percentual dos padrão cinco estrelas é de 47,05%.


“A maior parte dos participantes da Jornada Mundial da Juventude optou por hospedagens econômicas e alternativas, e não a hotelaria padrão de três a cinco estrelas localizada no corredor turístico da cidade”, diz em nota o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes.


A associação promove uma campanha junto com os hotéis para a concessão de descontos nas tarifas, como um atrativo para os visitantes. A lista de hotéis participantes pode ser conferida no site da entidade e os descontos variam entre 10 %e 50%.



Segurança teme papamóvel sem blindagem


As autoridades de segurança do Rio de Janeiro consideram uma “temeridade” a decisão do papa Francisco de dispensar papamóveis blindados durante sua visita ao Brasil na semana que vem, disse uma fonte do governo estadual fluminense ontem.


O principal receio é com os deslocamentos que o papa fará em Copacabana, num trajeto de mais de 3 quilômetros entre o Forte de Copacabana e o palco que esta sendo montado para as celebrações da Jornada Mundial da Juventude na praia.


Segundo o Vaticano, o papa Francisco decidiu utilizar os papamóveis abertos, iguais aos usados durante as audiências gerais na Praça de São Pedro, para ter contato direto com a multidão no Brasil, apesar dos riscos envolvidos.


“Nós somos apenas a ponta do processo, mas a responsabilidade se der um problema é nossa, porque ninguém vai assinar um documento dizendo que assume”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.


Há uma preocupação das autoridades com protestos marcados para coincidir com a visita do papa ao Rio. “Há pelo menos três protestos marcados. Teremos que agir com muita sabedoria”, afirmou a fonte. “Se tiver que atuar, a polícia terá que ser cautelosa, porque não podemos vender uma imagem de uma polícia dura. O mundo inteiro vai estar de olho no papa e no que acontece no Brasil”, disse a fonte fluminense.


O efetivo de segurança para a visita do papa está estimado em ao menos 22 mil homens. Serão mais de 10 mil integrantes das Forças Armadas, cerca de 7 mil policiais do Rio, 1.300 homens da Força Nacional de Segurança e agentes das Polícias Federal e Rodoviária, além de agentes da guarda municipal.


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que as autoridades estão analisando a decisão do papa de recusar o automóvel blindado e conversando com o Vaticano para montar um plano de segurança que “minimize o mais possível situações de risco”.