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Tenente Nilson Gasparelo se especializou na aeronave A-29 Super Tucano |
O aeromodelismo era apenas um sonho e se tornou realidade com ajuda do pai. Ainda adolescente, o bauruense Nilson Rafael Oliveira Gasparelo, 28 anos, já demonstrava sua paixão por aviões, apesar de se interessar mesmo pela informática. Sempre muito estudioso e responsável, conquistou primeiros lugares em muitas instituições de ensino. Depois de chegar à Força Aérea Brasileira e se especializar como piloto do avião Super Tucano, ele agora integra a equipe do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), conhecido popularmente como Esquadrilha da Fumaça.
O pai de Nilson, Adilson Donisete Gasparelo, comemora a conquista do filho como primeiro piloto de Bauru a integrar a EDA. Ele conversou com a reportagem e contou que a carreira militar é comum na família. Começou com o avô de Nilson e pai de Adilson, Anésio Gasparello, hoje com 92 anos, que ingressou na carreira militar em Bauru ainda durante a guerra.
“Ele trabalhou na 6ª Circunscrição de Serviço Militar (CSM) de Bauru, onde trabalhou em cargo administrativo. Trabalhou durante a guerra, mas não chegou a ser enviado para serviço”, disse. Quando jovem, Adilson também resolveu seguir carreira no Exército e chegou a 3º sargento da reserva. Hoje trabalha como técnico em informática.
História
O pai conta que, quando pequenos, os irmãos Nilson e Marco Rafael Oliveira Gasparelo – esse último web designer – tinham sonhos opostos. “Quando eu comprei um computador, o interessado era o Nilson, mas quem se aprofundou mesmo e resolveu aprender mais foi o Marco, que já coordenou até a equipe de web designers no Pan em 2007. Quem gostava de aeromodelismo era o Marco, mas quem se apaixonou por aviões foi o Nilson”, disse Adilson.
O aprendizado dos dois filhos veio das próprias aulas. Adilson destaca, com orgulho, que Nilson e Marco nunca precisaram estudar muito, sempre prestavam atenção nas aulas.
“Eles sempre foram muito inteligentes e gostavam mesmo de prestar atenção na aula. Procuravam aprimorar o conhecimento em casa, lendo livros. Gostaria de frisar que eles nunca estudaram em escola particular, sempre frequentaram o ensino público”, destacou o pai.
Alçando voos
Os caminhos de Nilson Gasparelo começaram a se abrir depois que ele conquistou o primeiro lugar no processo seletivo do Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp de Bauru. “Ele passou em primeiro lugar no CTI, no curso de eletrônica. Quando chegou no terceiro ano, decidiu prestar a seleção para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCar). Eu o orientei para cursar o terceiro ano novamente, lá na EPCar, em Barbacena (MG). Quando terminou, prestou a seleção para a Academia da Força Aérea (AFA) e passou em quarto lugar. Em 2008, ele foi para Natal estudar aviação de caça e se especializou em Super Tucano. Por isso foi convidado a participar da Esquadrilha da Fumaça”, relatou o pai.
Nota oficial
A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou, nesta semana, nota oficial sobre a escolha de dois novos pilotos do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), a Esquadrilha da Fumaça.
O bauruense tenente aviador Nilson Rafael Oliveira Gasparelo será o ala esquerda externa, número cinco, e o capitão aviador José Pimentel Neto assumirá a posição de ferrolho, número quatro.
Em entrevista ao setor de comunicação da FAB, Gasparelo disse estar surpreso com o telefonema do tenente-coronel Marcelo Gobett Cardoso. “Entrei para a FAB com o sonho de compor a equipe da Fumaça. Estive presente em várias comemorações de aniversários do EDA só para ver as apresentações. Agora vou mudar de lado. A sensação vai ser bem diferente”.
Hobby
Além da paixão pela aviação, outro hobby de Nilson Gasparelo é tocar bateria, conforme contou o pai, Adilson Gasparelo. “Nós tínhamos uma banda de rock. Eu cantava, ele tocava bateria e o Marco tocava guitarra. A banda se chamava Aere Perenyus, que significa, em latim, mais durável que o bronze”, contou.
Apesar de estar longe de seu instrumento e de casa, Nilson não abandonou a música, tocou bateria também em duas bandas militares, em que o comandante era o vocalista. “Um sonho meu é ainda montarmos a banda e tocar Pink Floyd”, finalizou o pai, com um sorriso.