11 de julho de 2026
Polícia

Policiais ambientais são investigados por suposta corrupção

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan

O major Marcelo Sanches: “A prática investigada é de favorecimento”

Quatro policiais ambientais de Bauru estão sendo investigados por corrupção pelo Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4). Por conta da acusação, três foram transferidos para outras cidades do Estado, onde passaram a realizar serviços administrativos. O quarto se aposentou. Os nomes não foram revelados.

Eles são suspeitos de receber dinheiro de um proprietário de terra em troca de oferta de desconto no valor de uma multa aplicada por desmatamento. A instauração do inquérito policial militar (IPM) foi confirmada ontem pelo CPI-4.

Chefe interino do Estado Maior do comando, o major Marcelo Sanches revela que a possibilidade de o grupo estar envolvido em outros casos de favorecimento ainda está sendo investigada. Segundo o JC apurou, ao menos dois dos quatro policiais seriam oficiais, ou seja, possuem patente de tenente ou superior.

Segundo informações obtidas com exclusividade pelo JC, um proprietário de terras que devastou uma área de 45 alqueires entre Duartina e Cabrália Paulista os teria denunciado após ser extorquido por eles. O homem já teria desembolsado R$ 100 mil para ter o valor da autuação reduzido, mas o grupo teria cobrado outros R$ 50 mil para efetivar o esquema.

Sem acordo, o proprietário teria decidido pela denúncia. Os detalhes do favorecimento, no entanto, não foram confirmados pelo CPI-4. 

O major Marcelo Sanches informa que as investigações foram desencadeadas há cerca de um mês e adiantou que, inicialmente, apenas quatro policiais ambientais estão sendo investigados. Eles não foram presos porque não foram pegos em flagrante.

“A prática investigada é de favorecimento, mas não sabemos se se trata de um caso pontual. Inicialmente, a denúncia é de que um proprietário rural teria sido autuado pela metade do valor da multa depois de supostamente oferecer dinheiro a estes policiais”, frisa o chefe interino.

Patrimônio

De acordo com ele, para uma área de 45 alqueires com vegetação em estágio avançado, a multa pode chegar a R$ 500 mil. Além da autuação, contudo, os policiais são obrigados a informar a Polícia Civil e o Ministério Público sobre o registro de desmatamento, e Sanches não confirmou se o grupo investigado também deixou de fazer esta comunicação.

Ainda de acordo com o chefe interino, áreas autuadas recentemente estão sendo novamente fiscalizadas pela Polícia Ambiental para checagem “minuciosa” sobre a existência de outras possíveis irregularidades. “Pode até ser que alguns locais já estejam sob suspeita, mas ainda não há confirmação”, observa.

Além de investigar o esquema, o inquérito policial militar presidido pelo major Sugar Ray, do CPI-4, apura eventual incompatibilidade de patrimônio dos policiais em relação aos salários que recebiam. O prazo para conclusão da investigação é de 40 dias, prorrogáveis por mais 20. Quando o inquérito for concluído, o caso será encaminhado e julgado pelo Tribunal de Justiça Militar, em São Paulo.

“Consideramos a denúncia gravíssima e, por isso, nosso objetivo é concluir as investigações o mais rápido e com o máximo rigor possível”, frisa Sanches. Se forem condenados, os policiais poderão até ser expulsos da corporação.