Eles são muito jovens, mas já alcançaram a idade de entrar no mercado de trabalho, trazendo com eles novos desafios para as organizações, que ainda têm dificuldades de lidar com a geração Y.
Conectado com a modernidade, este grupo de profissionais formado por jovens que nasceram nos anos 90, em plena Era Digital, chega para trabalhar esperando por uma empresa semelhante ao seu mundo, com novas tecnologias, rápida, aberta a novas ideias, globalizada, agitada e muito criativa.
“Não é à toa que a letra que os denomina vem do termo `zapear´, ato de trocar de canal de TV constantemente pelo controle remoto. A geração Z tem pressa e sua entrada no mercado de trabalho será complicada no início”, destaca Viviane Gonzalez, especialista na área de Recursos Humanos e diretora da Business Partners Consulting Interior São Paulo.
Esta é a primeira vez que três gerações tão diferentes se encontram no mercado de trabalho. “Nestes últimos 30 anos, com a velocidade das informações e a criação constante de novas tecnologias, o mundo mudou muito. Apesar da diferença de apenas 10 anos entre os profissionais X, Y e Z, as diferenças, especialmente de comportamento, podem ser gritantes”, explica a especialista.
Como manter uma equipe com tantas diferenças sem prejudicar o desenvolvimento do trabalho deve ser a principal preocupação das empresas. “Todos os escalões da empresa precisam se preparar para receber estes profissionais, que também têm muito a acrescentar. Seria bem interessante que se investisse em palestras para os funcionários antigos e treinamentos para os recém-contratados”, aconselha Viviane.
A mescla de gerações, apesar de conturbada, será muito positiva em um futuro bem próximo. “É preciso que as empresas encarem essa mudança e atualizem seus negócios, criando novas formas de liderança e motivação, mas caso decidam manter-se conservadoras frente às alterações ocorridas nos últimos anos e lutar contra a maré, poderá morrer na praia”, conclui a especialista.
Retenção de talentos
O desafio da última década parece que ficará ainda mais desafiante para os RH das empresas: a retenção de talentos. A nova geração se mostra ainda mais inquieta e está sempre galgando novas posições.
Segundo Viviane, há pelo menos cinco anos uma nova conduta de carreira está se formando: o profissional não quer mais perdurar em uma organização durante anos. E a geração Z tem esta característica muito marcante.
Do outro lado, as empresas têm medo de investir em talentos que repentinamente podem sair da corporação. O esforço de recrutar, selecionar e desenvolver profissionais corre o risco de ser em vão, vide a rotatividade que essa nova geração irá impor. “Uma saída será criar programas atrativos para a carreira, que valorizem seus profissionais, a fim de reter seus talentos”, sugere a especialista.
Outra alternativa será a empresa contratar profissionais por projetos “Permanecer durante muito tempo em uma mesma organização é um conceito que está diminuindo e a tendência é que seja eliminado com o passar dos anos”, analisa.
Melhoria contínua - A compreensão
O mundo mudou. O nível de exigência aumentou. “A primeira impressão é a que fica” perdeu determinado espaço para “a primeira compreensão é a que fica”.
Como é bom encontrar gente que nos compreende.
Conta a história que, certa vez, questionaram o pacifista Mahatma Ghandi se ele já havia conseguido perdoar alguém. Ele de imediato respondeu que não. Causou surpresa no questionador. E o líder espiritual indiano explicou: “Não é necessário, uma vez que não me ofendo. Não trago a ofensa para mim. Esforço-me em compreender o ofensor”.
Um amigo sentiu na pele a importância do esforço em compreender. Ele confidenciou-me, em poucas palavras, que certa vez ofendeu grosseiramente, em momento de desequilíbrio, um jovem office boy perante outras pessoas. Na oportunidade, como gerente, dispensou o pequeno profissional. Apesar de estar certo no “o que”, percebeu que errou no “como”. E que devido a isso perdeu a razão nessa situação junto à sua equipe.
Pensou em se desculpar, mas o excesso de atividades do dia-a-dia o fez esquecer e deixar a situação como estava.
O tempo passou e num belo dia esse amigo teve um sério problema de saúde. Já na sala de cirurgia, para sua surpresa, encontrou aquele jovem ofendido, agora como enfermeiro. Sem titubear, rapidamente esse amigo pediu desculpas.
O rapaz, com um sorriso caridoso, característico de pessoa religiosa, disse: “Na época, eu compreendi. Fica tranquilo, relaxa!”
E esse companheiro concluiu comigo: “O mundo dá voltas. O poder se desloca de forma imprevisível. Sem sombra de dúvida, o único poder consistente somente vem de Deus”.
A verdade é que não sabemos de quem precisaremos no dia de amanhã.
Jamais podemos nos esquecer de que temos liberdade para escolher nossos pensamentos, falas e atos, mas somos prisioneiros de suas consequências.
É sabido que os nossos principais problemas são de relações pessoais. Queiramos ou não, passamos muito tempo de nossa vida pensando em nós mesmos. Tempo descomunal, de maneira geral. Procure entrar no lugar do outro mais vezes. Olhar com o olhar dele. Com certeza você ficará mais flexível.
E lembre-se que quanto mais você se elevar moralmente, menos rigoroso será para com o próximo. Tornar-se-á mais enérgico apenas consigo mesmo.
Davison de Lucas - diretor da M. Davison & Associados
Consultor organizacional e palestrante
www.mdavison.com.br