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João Rosan |
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“Ser médico é um privilégio que deve ser honrado pelo profissional”
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Ele adora trabalhar, é apaixonado pelo Noroeste, dedicado à família (como um bom descendente de árabes) e acredita que a medicina é um privilégio que deve ser honrado pelo profissional. O entrevistado de hoje, o médico Omar Haddad, também é conhecido em Bauru como o médico “gente boa” do Noroeste.
Nascido em São Paulo, Haddad cursou medicina na Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, e lembra que sua infância e juventude foram felizes, assim como os seus dias atuais. “Nunca fui uma pessoa muito ambiciosa. Embora o dinheiro seja importante, nunca me fez correr atrás dele. E isso me deixa muito feliz e tranquilo, sempre”, acrescenta.
Além de falar sobre as suas principais passagens pessoais e profissionais na entrevista a seguir, Haddad ainda opina sobre a crise do Noroeste e as polêmicas envolvendo os profissionais de medicina. Confira.
Jornal da Cidade - O senhor nasceu em São Paulo. Veio para Bauru quando?
Omar Haddad - Eu vim para Bauru em 1989. Em São Paulo, eu já tinha um emprego na Secretaria de Saúde do Estado e fui transferido para cá. Aqui, mantive esse emprego e comecei a trabalhar também na prefeitura, onde ainda estou. Eu trabalho no Núcleo de Saúde Octávio Rasi e na UPA da Bela Vista, além do meu consultório particular, da Beneficência Portuguesa, Hospital Unimed e Noroeste.
JC - O que o trabalho significa para o senhor?
Omar - Eu trabalho muito. Eu sempre gostei de medicina, acho que é uma grande profissão. Ser médico é um privilégio e eu acho que o profissional deve honrar tal privilégio. Observo que atualmente falta uma certa dose de atitude médica. Veja bem, a medicina é basicamente diferente das outras profissões porque as pessoas têm uma expectativa diferente em relação ao médico. Embora você não seja um sacerdote, como antigamente havia esse espírito, os seus pacientes esperam que você tenha o comportamento de um sacerdote. É algo até certo ponto místico. E esse montão de conflitos atuais ocorre porque houve uma ruptura dessa relação. Falta relacionamento afetivo. A relação médico/paciente precisa ser valorizada. Nada resiste ao trabalho. Esta é uma frase que eu gosto muito de dizer.
JC - Qual é a sua opinião sobre as atuais polêmicas que envolvem o profissional da medicina?
Omar - Eu acho que o problema da saúde pública no Brasil, ou da saúde em geral, em primeiro lugar está na falta de integração eficiente entre uma série de recursos municipais, estaduais e federais. Faltam rendimento e eficiência maior do sistema. Em relação à vinda de profissionais de outros países, eu acho que qualquer pessoa é bem-vinda, desde que seja capacitada e habilitada dentro das exigências que os conselhos regionais de medicina usam para nós, também. Acredito que se vierem profissionais bem preparados e que atendam todas as exigências médicas que existem no Brasil, não teremos nada contra.
JC - E sobre os alunos de medicina trabalharem dois anos na rede pública antes de conseguirem o registro definitivo de médicos?
Omar - As medidas unilaterais devem ser bem discutidas. Há a questão dos médicos que fazem faculdades públicas. Esses estudantes não pagam a faculdade e, nesses casos, se fossem criados mecanismos bem determinados, poderíamos indicar que esses profissionais pudessem participar de atendimentos públicos durante um ou dois anos em benefício da população.
JC - Quando começou a sua história com o Noroeste?
Omar - Em 1993, há exatos 20 anos. Inclusive a minha família colabora muito comigo entendendo isso, porque o trabalho que eu tenho com esse time não é pequeno, não. Eu trabalho na cidade e fora dela e acredito que eu muito mais ofereço ao Noroeste do que recebo do clube, porque em termos de remuneração é algo absolutamente não vantajoso. É uma coisa de paixão, acredito. E quando eu cheguei a Bauru, nem imaginei que seria o médico do time da cidade. Até que, um certo dia, depois de uma queda do time, ele ficou sem médico e me convidaram para participar de alguns jogos. Acabei me efetivando no cargo.
JC - Tal paixão deve render um livro.
Omar - Sim. O time faz parte da minha vida. Já subi seis vezes com o Noroeste e já cai seis vezes com ele. Hoje, o meu coração está bem mais profissional do que torcedor, embora eu goste muito do Noroeste e seja um apaixonado por futebol. Sempre gostei muito da modalidade. Um dia eu falei para a minha mulher que eu gosto tanto dela quanto do futebol, e então ela me disse ter a certeza de que eu gosto muito dela mesmo (risos).
JC - Como você avalia a atual situação do clube?
Omar - Neste momento a situação está muito delicada, mas acredito que as coisas estão difíceis porque a cidade virou as costas para o Noroeste e tudo na vida é assim: quando você não decide, os outros decidem por você. Se Bauru não decide nada, começam a vir pessoas de fora e tomam conta dessas decisões. Mas eu continuo lá, mesmo com salários atrasados, e pretendo continuar. Eu não vou deixar o Noroeste no pior momento da sua história, né?!
JC - Sua especialidade é geriatria, certo?
Omar - Clínica médica e geriatria. Fiz clínica médica durante um longo tempo, além de ortopedia, porque eu fiz estágio em um hospital do exército durante dois anos, onde aprendi muito sobre a especialidade. A geriatria eu comecei aqui, em Bauru, quando criei o Programa Municipal de Atendimento ao Idoso (Promai) em 1992, onde fiquei por uns dez anos. Eu comecei a me envolver com o atendimento ao idoso e percebi que é um trabalho muito gratificante. Primeiro porque eles são muito respeitosos, algo raro hoje em dia. E como eles estão em uma faixa de idade avançada, infelizmente com mais passado do que futuro, sabem que a ação de um médico é muito importante para a manutenção e a qualidade da vida deles.
JC - Como foram sua infância e juventude?
Omar - Eu fiz faculdade na Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo. A minha juventude foi muito feliz, graças a Deus eu sempre fui uma pessoa muito feliz. Nasci em uma família não rica, mas com bons recursos financeiros. Meus pais me deram uma qualidade de vida muito boa. Sempre fui muito estudioso e apaixonado por futebol. Nunca fui uma pessoa muito ambiciosa. Embora o dinheiro seja importante, nunca foi algo que me fez correr atrás dele. E isso me deixa muito feliz e tranquilo, sempre. Sou feliz hoje, que tenho um pouco mais de recursos, como fui antes com muito menos.
JC - O que é importante para o senhor?
Omar - Eu prezo viver com qualidade, trabalhar muito (adoro trabalhar)... O convívio com a minha esposa, com os meus filhos é muito importante para mim. Como árabe, eu sempre vivi em função da minha família. Agradeço muito à minha esposa, que é o meu amor. Estamos casados há 30 anos, temos dois filhos e uma netinha, a Maria Clara. Meu filho mais velho, que é pai, é piloto da Gol. O mais novo está terminando o curso de engenharia civil. Eu nunca indiquei profissões a eles. Fiz algumas orientações, mas eles escolheram o seu caminho. Outra coisa que eu valorizo muito é a parte espiritual. Onde quer que eu esteja ou entre, eu observo a parte espiritual das pessoas. É uma característica minha. Sou capaz de me sentir bem ou mal na presença da energia das pessoas, e aprendi a lidar com essa energia. Considero-me um homem conservador e bastante humilde. Alguns acham que sou humilde até demais, mas gosto assim. E meus filhos, muitas vezes dizem que eu sou quadrado. Digo que não, que sou um cubo, ou seja, seis vezes quadrado (risos).
Perfil
Nome: Omar Haddad
Idade: 60 anos
Nascimento: São Paulo
Esposa: Haidée Maria Malheiro de Oliveira Haddad
Filhos: João Pedro e Eduardo
Hobby: Futebol e tênis
Livro de cabeceira: Livros de medicina
Filme preferido: “Forrest Gump”
Estilo musical predileto: Gosto de músicas românticas dos anos 70
Time: Palmeiras e Noroeste
Para quem dá nota 10: Para a minha esposa
Para quem dá nota 0: Para os políticos brasileiros que não têm amor à pátria
E-mail: haddad83@terra.com.br