09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O futuro que virá


| Tempo de leitura: 2 min

As manifestações desencadearam um processo importante e agora, mais do que nunca, a população e a mídia podem efetivamente passar a monitorar os dados da administração pública e devem (mais do que podem) também participar na definição das prioridades de aplicação das verbas públicas. Querer justiça, igualdade de oportunidade, eficiência e competência nos serviços públicos e idoneidade dos agentes públicos são os gritos que nos sufocam. Realizar é obrigação da administração, e, quando não é feito com responsabilidade, reivindicar que o seja é direito do cidadão.

Aqui em nossa região alguns prefeitos se destacam pela abertura para diálogos com a população, entre eles eu cito o Rodrigo Agostinho, prefeito de Bauru. Um prefeito engajado e idealista, que procura administrar o município de forma transparente, com competência, muita dedicação trabalho e coragem.

Isso é admirável, principalmente em um país como o Brasil onde grande parte dos políticos entra na administração pública por ser um bom emprego, um país onde a corrupção corre solta, onde não há comprometimento com a gestão pública e o interesse próprio se sobrepõe ao interesse popular.

É emocionante ver a manifestação desses jovens na luta por um mundo melhor. Mas o método, às vezes agressivo e violento, outras vezes arrogante, prepotente e até certo ponto autoritário me preocupa muito. Exigir que se faça o que se quer a qualquer custo, de todo jeito, me parece lutar contra uma coisa, mas agindo da mesma forma da que se condena... Todo cuidado é pouco. O respeito é essencial para ambos os lados.

Reivindicar é importante. Mas, será válido exigir com chantagem e dramatização que se cumpra o desejo de um grupo que acredita representar a população? Ou isso empobrece e banaliza uma reivindicação justa? Se o político é aberto para novas ideias e colaborações e recebe de boa vontade (e isso deveria ser feito por todos os políticos, mas não é...) os manifestantes, porque então não se seguir por essa via de respeito e de conversa.

Debater é uma forma muito boa para se conquistar as necessárias mudanças. Aprimorar o contato do agente político com a população através da internet e tecnologias pode produzir um interessante caminho de discussão e expansão de novas ideias para o desenvolvimento de projetos populares, honestos e bem intencionados.

Ainda não temos uma ideia clara sobre o futuro que virá, mas que não podemos ultrapassar o bom senso, ah... isso não. Os fins não justificam os meios...


Lúcia Reis - ONG Águas do Serrote - Duartina-SP