08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nos cargos da Emdurb


| Tempo de leitura: 2 min

Recentemente, o Ministério Público da Cidadania (sempre eles) pressionou a Emdurb para explicar a superpopulação de cargos comissionados, aqueles preenchidos por livre indicação. Afinal, são 31 chefes, 20 assessores e 13 gerentes. Depois da reunião, o presidente da empresa fez-se de desentendido, dizendo que é hora de revisar os quadros até mesmo em razão dos protestos populares, que pedem transparência e moralidade na administração pública. Opa! Então antes não era? Deixe-me entender: se ninguém reclama, finge-se que está tudo bem, usa-se da máquina pública e arda-se a moral pública? Só pode ser piada de mau gosto.

Mas, já justificando uma mudança pouco significativa, Nico Mondelli salientou que "não se consegue diminuir muita coisa" por causa da demanda. Burro, Nico Mondelli não é. Sonso, muito menos. Mesmo assim, parece difícil que o gestor público compreenda que o problema não é o número de funcionários, mas a esbórnia de distribuição entre amigos e "cumpadis". Por que não se profissionaliza? Por que não se contratam servidores nestes cargos que não precisariam ser comissionados, para que os concursados façam história e carreira na Emdurb, acabando com o troca-troca de gente que nada sabe por gente que nada entende?

Sem essa balela de "precisamos montar uma equipe de confiança para administrar". Servidores de carreira têm que ser igualmente de confiança, têm que se dedicar à coisa pública e têm que agir dentro da moral administrativa. Antes de questão ética, é uma questão legal prevista no estatuto dos servidores! Aliás, converse-se com qualquer servidor de carreira que se constatará que seu maior rancor no serviço público é a existência do "comissionado de confiança", posto que estes, normalmente, apenas se apegam ao cargo para preenchimento de interesses político-pessoais. Infelizmente, Nico Mondelli não é exceção, mas a regra da gestão pública. Segue apenas a lei torta de um jogo que ainda não conseguimos moralizar. É apenas um peão nessa política nacional de loteamento de cargos.

Ivan Goffi