08 de julho de 2026
Bairros

Garoto eletrocutado amputa braço

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Eletrocutado por um fio de alta tensão há uma semana, Cauã Henrique Mello Camargo, 7 anos, foi submetido a uma cirurgia para amputação do braço direito. O procedimento foi realizado anteontem no Hospital Estadual, um dia antes de a família anunciar que pretende ingressar com ação indenizatória contra a CPFL Paulista (leia mais abaixo).  

 

Quioshi Goto

Fio solto que feriu o menino; advogado quer explicações

para saber por que a fiação continuava energizada

O braço de Cauã foi amputado acima da altura do cotovelo, após avaliação médica que detectou riscos de o garoto morrer por conta do membro infeccionado. Apesar da cirurgia, o hospital informa que o menino já apresenta melhora no quadro clínico. Ele, no entanto, ainda segue internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica da Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ).


Cauã sofreu queimaduras de terceiro grau após ser eletrocutado, no último dia 15, por um fio de alta tensão que pode ter sido rompido por uma linha de pipa, na Vila Ipiranga, em Bauru. Segundo o JC apurou, os médicos ainda não teriam conseguido avaliar a extensão das lesões em órgãos internos e as chances de o garoto ficar com sequelas motoras e neurológicas.


Suspeito de ter provocado um curto-circuito e o rompimento no cabo de alta tensão ao tentar desenroscar a linha de uma pipa, Sílvio Teixeira da Silva, 20 anos, foi preso no mesmo dia do acidente. Ele ficou encarcerado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru até o último sábado, quando foi liberado. Ele responderá por crime de tentativa de homicídio com dolo eventual.


Advogado da família de Cauã, Evandro Dias Joaquim afirma que, além de acompanhar o inquérito e o processo criminal, pretende ingressar com uma ação cível contra a concessionária de energia elétrica para requerer indenização ao garoto e sua família. De acordo com ele, a rede de alta tensão deveria contar com dispositivo de segurança para bloquear a transmissão de energia em caso de curto-circuito e rompimento de cabos.



Vidas transformadas


O objetivo é que a CPFL Paulista explique se a rede não contava com este sistema e, se sim, por qual motivo ele não funcionou, de modo a evitar o acidente que feriu Cauã. Procurada pela reportagem no final da tarde de ontem, a companhia informou que se manifestaria sobre o assunto ainda hoje.


“A concessionária precisa explicar por que aquele fio continuava energizado, mesmo rompido. Há uma falha evidente no sistema de segurança, que coloca em risco toda a população de Bauru”, analisa Joaquim.


De acordo com ele, a Polícia Civil já teria solicitado informações neste sentido à CPFL. Por conta do adiantado da hora, a reportagem não conseguiu contatar a delegada Priscila Alferes, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que preside o inquérito sobre o caso.


Segundo Joaquim, a ação indenizatória deverá ser protocolada em breve no Judiciário de Bauru. “Os prejuízos para a família e para este garoto, que apenas estava começando a vida, são enormes. A vida de todos ali foi tragicamente transformada e alguém precisa responder por isso”, frisa.