08 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Matando a saudade

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

O último jogo foi no dia 31 de janeiro, contra o São José, pelo Novo Basquete Brasil (NBB). E tanto tempo longe das quadras já faz o ala Fernando Fischer sentir ainda mais vontade de atuar com a camisa do Paschoalotto/Bauru. As dores no pé direito vinham incomodando o capitão do time, exigindo uma cirurgia para que o jogador pudesse voltar a atuar.

 

Malavolta Jr.

Capitão Fernando Fischer calibra o ‘gatilho’ durante treino na Panela de Pressão

A cirurgia, realizada em São Paulo, aconteceu no dia 26 de março, e o período estimado para recuperação é de seis meses. Ou seja, a volta do atleta só vai acontecer em meados de setembro e outubro, mas o processo está evoluindo bem e Fischer já faz alguns arremessos na Panela de Pressão.


“Ainda sinto um pouco de dor, mas isso já é algo esperado. Ainda estou em fase final de recuperação, em agosto terei uma consulta em São Paulo para avaliar mais detalhadamente como está a situação. Mas estou com muita vontade de voltar a jogar, estava com saudade de sentir este clima de treino, de jogo”, cita Fischer.


“Por enquanto, ainda não estou correndo, fazendo trabalhos com a bicicleta, na piscina também. Espero em breve poder estar treinando com o elenco e ficando à disposição nos jogos”, relata. “A previsão inicial para voltar era seis meses. Claro que a evolução da cirurgia interfere muito, mas já sei que perco um mês de Campeonato Paulista. Foi ruim demais ficar fora, queria ter participado de mais jogos do NBB”, menciona.


O próprio atleta acredita que deve retornar apenas com o returno do Estadual em andamento, conseguindo atuar nos playoffs, em outubro. “Pelo prazo estipulado inicialmente, posso conseguir voltar no final da primeira fase e jogar os playoffs. Tem a Liga Sul-Americana, em outubro, a expectativa é poder ajudar”, ressalta Fischer.



A cirurgia


Fischer lembra que o procedimento levou mais de seis horas, pois mexeu em diversos pontos. “Normalmente este tipo de operação é mais curta, mas no meu caso tinha várias coisas para fazer. Mexeu em três tendões, cortou meu calcanhar no meio e mudou a posição do meu pé. Houve uma transferência do tendão do meu dedão para o tendão de Aquiles. Enfim, foi muita coisa de uma vez só”, resume o jogador.


“Para uma cirurgia de ortopedia, é um tempo longo. Mas valeu a pena, estou com a força dentro do esperado. Antes eu não estava conseguindo treinar, desde aquele playoff do NBB contra o Flamengo, em 2011, eu vinha com dores. Agora não, quero estar bem para atuar, espero voltar melhor do que estava”, pontua.

 

História em Bauru

Fernando Fischer chegou a Bauru em janeiro de 2009, após disputar o Estadual do ano anterior pelo Guarujá, onde foi comandado pelo técnico Hudson Previdelo, hoje treinador dos times de base de Bauru e auxiliar técnico de Guerrinha na equipe principal.


Além de ter sido capitão durante boa parte do período em que está na cidade, o ala é um dos três jogadores que defenderam o clube nas cinco edições do Novo Basquete Brasil (NBB). O armador Larry Taylor e o ala Gui Deodato são os outros a ter esta marca.


Ambos, entretanto, são os únicos que vestiram a camisa da equipe no Campeonato Paulista desde a volta do projeto, em 2008, enquanto Gui Deodato é o único remanescente da primeira formação do time que voltou naquele ano para a disputa da Supercopa, primeira competição de Bauru após retomar o basquete profissional.

 

Pela mudança no calendário

O acúmulo de jogos é uma das principais reclamações dos atletas do basquete atualmente. O JC abordou o tema, no último sábado, constatando que, dependendo do desempenho nas competições que disputar, um time como o Paschoalotto/Bauru pode jogar mais de 110 vezes na temporada.


Fischer não esconde sua opinião sobre o assunto: é a favor de uma reestruturação no atual modelo de calendário do basquetebol brasileiro. “Precisava mudar isso. Deixar o Campeonato Paulista só para quem não joga o Brasileiro (NBB). Ou deveria pelo menos deixar como opção, quem joga o NBB poder escolher se quer jogar o Paulista”, cita.


“O Paulista tem um ritmo muito forte e, logo após a final, já começa o Brasileiro. No começo, os times de São Paulo até podem levar alguma vantagem, por ter ritmo de jogo, mas depois, quando o Brasileiro afunila, no segundo turno, os times paulistas sentem mais a parte física”, conclui Fischer.

 

Amistoso amanhã

A assessoria de imprensa do Paschoalotto/Bauru confirmou ontem à tarde que a equipe fará jogo-treino contra Liga Sorocabana, amanhã, às 17h, no Ginásio Panela de Pressão, com portões abertos ao público. Além deste treinamento, as duas equipes irão se enfrentar na estreia do estadual, no dia 1º de agosto, também em Bauru.


“Tivemos pouco trabalho tático na pré-temporada por conta da ausência dos atletas. Não conseguimos treinar ainda um cinco contra cinco e isso prejudica a preparação. Visando justamente suprir isso, um treino desse contra Sorocaba será uma ótima maneira de colocar nossos atletas mentalmente no clima de jogo, afinal o campeonato já começa na próxima semana”, explicou Guerrinha.


Bauru não poderá contar com Fernando Fischer e Lucas Avelino que se recuperam de lesão, Larry Taylor que serve a Seleção Brasileira e o argentino Fabian Ramirez, que retornou ao seu país para se casar.