08 de julho de 2026
Cultura

Bateu asas do sertão


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O cantor, compositor e sanfoneiro Dominguinhos morreu ontem, aos 72 anos, em São Paulo. O músico estava internado desde 13 de janeiro no Hospital Sírio Libanês. Ele havia entrado em coma irreversível após apresentar um quadro de infecção respiratória e arritmia cardíaca e lutava contra um câncer no pulmão.


Em uma de suas últimas apresentações, no dia 13 de dezembro, o artista havia feito show em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, em Exu, no interior de Pernambuco, seu Estado de origem.


Músico desde a infância, Dominguinhos foi incentivado por Gonzaga, que o consagrou como herdeiro artístico. José Domingos de Moraes, Dominguinhos, nasceu em Garanhuns (PE), em 12 de fevereiro de 1941. Começou a tocar e compor aos oito anos, com uma sanfona de oito baixos em feiras livres, para em seguida se profissionalizar com a de 48, 80 e 120 baixos.


Em 1950, ele conheceu Luiz Gonzaga, que o convidou para conhecer o Rio - o que acabou acontecendo quatro anos depois, quando Dominguinhos tinha 13 anos. Dominguinhos recebeu de seu padrinho musical uma sanfona e passou a tocar, fazer shows, participar das viagens e gravações de seus discos.


Dominguinhos teve músicas gravadas pelos maiores nome da MPB, como “Eu Só Quero um Xodó (em parceria com Anastácia), grande sucesso de Gilberto Gil, e “De Volta pro Aconchego” (em parceria com Nando Cordel), popularizada na voz de Elba Ramalho.



Multifacetado


O pai de Dominguinhos, mestre Chicão, era um famoso tocador e afinador de foles de oito baixos. Começou a tocar sanfona aos seis anos de idade, juntamente com mais dois irmãos, em feiras livres e portas de hotéis do interior de Pernambuco. O nome Dominguinhos foi uma sugestão de Luiz Gonzaga, que considerou que o apelido de infância, Neném, não o ajudaria na trajetória artística.


Em 1957, aos 16 anos, fez sua primeira gravação, tocando sanfona em um disco de Gonzaga, na música “Moça de Feira”, de Armando Nunes e J.Portela.


Participou do primeiro disco gravado por Elba Ramalho, “Ave de Prata”, de 1979. Em 1981, participou, com destaque, do programa “Som Brasil”, na TV Globo.


Suas composições “De Volta pro Meu Aconchego” e “Isso Aqui Tá Bom Demais”, em parceria com Chico Buarque, foram incluídas na novela “Roque Santeiro”, da TV Globo. Em 1984, Chico Buarque gravou a composição “Tantas Palavras”, parceria de Chico e Dominguinhos, que se tornaria outro sucesso.