08 de julho de 2026
Articulistas

Liberdade com reflexão e atitude concreta

Roosevelt S. Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Nas últimas semanas, tivemos acontecimentos da maior importância para a Nação brasileira, em meio a um torneio internacional de futebol por nós sediado. A Copa das Confederações tem por objetivo testar as condições sociais de segurança, transporte e organização do País, que receberá torcedores de todos os cantos do planeta para a Copa do Mundo de Futebol 2014, a tão sonhada Copa do Brasil, sonho de infância de muitos se tornando uma realidade. O que não se esperava era a manifestação popular dos brasileiros em todo País reivindicando melhores condições de saúde, educação, transporte, menos corrupção... Reivindicando respeito com o dinheiro público, com o patrimônio e com os serviços oferecidos à população, ou seja, serviços nacionais "padrão Fifa".

Mais de 75% de aprovação dos brasileiros para as manifestações, que manipulações da mídia à parte, os atos de vandalismo não representam as ações e desejos dos manifestantes. O discurso da presidente Dilma em rede nacional trouxe uma inconsistente e infeliz informação, já anteriormente veiculada nas discussões sobre as políticas do SUS, de trazer ao nosso amado Brasil médicos de outros países. Precisamos de investimentos em recursos físicos, insumos e salários compatíveis com as funções que nós brasileiros já exercemos e temos condições de desenvolver se formos valorizados, assim serão ocupadas as vagas do Interior também, melhorando a distribuição espacial de profissionais especializados nas mais diversas áreas pelo interior do Brasil. Temos, em nossa Nação, formação de excelência em saúde na área médica de diversas universidades e em Estados diferentes, mas também a tantas outras áreas como a enfermagem, fonoaudiologia, fisioterapia, farmácia, etc. Na odontologia, que apesar de estar presente nas políticas do SUS da atenção básica à alta complexidade ainda necessita de apoio governamental para apresentar para a população o que ela necessita em termos de promoção da saúde bucal.

Necessária é a valorização do profissional brasileiro, que entende o discurso da pessoa carente e que realizará um atendimento com a humanização necessária. Precisamos de programas sustentáveis e não paternalistas como a Bolsa Família e outras "bolsas" semelhantes, estes programas necessitariam de prazo, de se apresentarem como uma alternativa de emergência. Recentemente tivemos a visita ao Brasil do Prêmio Nobel da Paz 2006, o senhor Muhammad Yunis, autor do livro "O banqueiro dos pobres", onde apresenta a experiência do microcrédito como alternativa para combate à pobreza e à miséria por meio do empreendedorismo e da inovação sociais.

Abertamente refutou a idéia de entregar dinheiro para população em livre demanda como se tem feito no Brasil nos últimos anos. "Não se deve entregar o peixe, mas a vara de pescar". Parece que o nosso velho ditado ainda se reveste de validade e importância. Quem sabe o que nós precisamos é aprender a "ensinar a pescaria" para que os números da nova classe baixa brasileira estejam estruturados na sustentabilidade. Refutamos fortemente a miséria e seria de bom tom um programa que oferecesse para esta população a autonomia e independência de que necessitam. Se o governo entendesse que saúde e educação são prioridades teríamos este temas fortemente inseridos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Infelizmente, não constatamos isso. A mobilização é importante para uma nação e para o fortalecimento, não de um governo, mas da democracia através da participação social com o objetivo de se ter um estado voltado para toda a população, aos que elegeram e aos que não elegeram os governantes. Eleições se aproximam e ansiamos que novos nomes, nomes com preparo, honestidade e comprometimento com o Brasil sejam apresentados para a população exercer o que tem feito de melhor nos últimos dias, uma análise crítica e imparcial dos rumos que desejamos ao nosso País.

O autor, Roosevelt S. Bastos, é professor da disciplina de saúde coletiva da FOB-USP