08 de julho de 2026
Regional

Crime bárbaro: julgamento é hoje

Lilian Grasiela com Marcelle Toneli
| Tempo de leitura: 3 min

Dois jovens acusados de matar uma adolescente de 16 anos, em janeiro do ano passado, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), vão hoje a júri popular. Eles foram denunciados pela Justiça por estupro, homicídio e ocultação de cadáver.

Renan Casal

Julgamento começa hoje; previsão é de que a sentença só saia nesta sexta-feira (26)

Um terceiro envolvido, que tinha 17 anos na época, está internado na Fundação Casa de Iaras e não está participando do tribunal.


O julgamento começou às 9h, no Fórum de Agudos, de forma tranquila.

Os outros dois suspeitos, João Antônio Bueno de Camargo, de 29 anos, e João Henrique Mantuan, de 21 anos, chegaram algemados e não podem ter contato um com o outro.

No banco dos réus, um agente penitenciário está sentado no meio dos dois para impedir qualquer tipo de comunicação.

Neste momento, uma testemunha de acusação está depondo. São cinco testemunhas de acusação e cinco de defesa.

O promotor de acusação é Luiz Carlos Gonçalves Filho. Já o juiz é Ricardo Venturini Brosco. A previsão é de que a sentença só saia nesta sexta-feira (26).

Família da vítima

Familiares da vítima chegaram no tribunal vestidos com camisetas que trazem a foto de Franciele Santos Brito e pedidos de justiça. "Só esperamos que a justiça seja feita e que eles paguem pelo que fizeram com minha filha", diz o pai de Franciele, Vanderlei de Brito.

Crime

Segundo o que foi apurado pela Polícia Civil, no dia 9 de janeiro do ano passado, por volta das 21h, a estudante Franciele Santos Brito, na época com 16 anos, foi estuprada e assassinada por João Antônio Bueno de Camargo, de 29 anos, pelo seu irmão, hoje com 18 anos, e pelo amigo deles, João Henrique Mantuan, de 21 anos, em um curral no jardim Márcia.


Momentos antes, ela havia se encontrado com o namorado em uma área conhecida como bosque, onde casais costumam se encontrar para namorar dentro de veículos. Quando retornava sozinha para casa, a jovem foi abordada pelo trio, que foi até o local para espiar os casais namorando.


De acordo com a polícia, ela foi agredida a pauladas pelos acusados e desmaiou.


O delegado Jader Biazon revelou na época que, após os golpes, os três pularam o muro de imóvel em construção próximo, retiraram de lá uma carriola de pedreiro e, com o veículo, levaram a adolescente até curral distante cerca de um quilômetro do local, onde um deles cria gado. Lá ela foi estuprada, torturada e enforcada com uma corda usada para amarrar o gado.


No corpo da vítima, foram encontradas marcas de queimaduras por pontas de cigarro. Mesmo após as agressões, as torturas e o estupro, cometido com a jovem desacordada, eles introduziram um pedaço de madeira na vagina de Franciele. Em seguida, o corpo foi ocultado e abandonado no local e a carriola devolvida à construção.



Arrependido


Na madrugada do dia 11, um dia após o crime, a Polícia Militar recebeu uma denúncia anônima informando sobre a existência do corpo de uma mulher em um matagal às margens da avenida João Wolber. Apesar das buscas, a polícia não localizou a vítima.


Os policiais retornaram para o número de onde partiu a ligação e, do outro lado da linha, um homem passou a direcionar a equipe para o local exato onde a adolescente estava. Quando a equipe chegou, por volta da 0h16, deparou-se com a vítima nua, com ferimentos na cabeça e região do pescoço, e sinais de violência sexual.


Como não portava documento, Franciele só foi identificada à tarde, quando familiares reconheceram seu corpo no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. A ligação anônima chamou a atenção da PM e, após a localização do corpo, a equipe foi até a residência do denunciante.


Lá, eles descobriram que o telefonema havia sido feito do celular do adolescente. Ele foi encaminhado à delegacia, onde confessou que o seu irmão havia cometido o crime e, arrependido, telefonado para a PM. Quando a polícia retornou à residência, o jovem já havia fugido. Ele foi localizado e detido em Bauru. Na delegacia, após horas de depoimento, os dois irmãos confessaram o assassinato, mas negaram a prática do estupro. Eles também revelaram que havia um terceiro envolvido, amigo deles, de 20 anos, que também foi detido. Os dois maiores tiveram prisão temporária decretada por 30 dias.