A onda de frio deixou ontem o dia de boa parte dos brasileiros bem longe do padrão tropical. Em Urupema, que registrou a menor temperatura em Santa Catarina, com -7,4ºC, a sensação térmica foi de -33ºC na madrugada, segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidrometeorologia (Ciram), comparável à temperatura do inverno no Alasca (EUA).
Em Santana (zona norte de São Paulo), a sensação térmica registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), de -3ºC, ficou no patamar da temperatura invernal de Capitais europeias, como Berlim. E a impressão de ar gelado, que se arrastou da madrugada para o decorrer do dia, tem explicação.
São Paulo teve a menor temperatura oficial dos últimos 13 anos, 5,2ºC, e a menor temperatura máxima desde 1961 (8,7ºC) - quando o Inmet iniciou a medição.
Na medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, a mínima foi ainda mais baixa: 4ºC, em Parelheiros, no extremo sul do município. Fatores como a velocidade do vento e a umidade influenciam a percepção de frio, a tal sensação térmica.
Mas, Marcelo Schneider, meteorologista-chefe do Inmet de SP, acrescenta outro ingrediente que leva algumas pessoas a acharem que fez mais frio aqui do que na Europa: recursos para encarar as baixas temperaturas, como aquecedores e isolamento térmico, são raros.
Mortes no RS
A onda de frio pode ter provocado duas mortes no Rio Grande do Sul. A Polícia Civil gaúcha suspeita que o andarilho Marino Fernandes, 53 anos, tenha morrido de hipotermia anteontem em uma área rural de Sinimbu (a 169 km de Porto Alegre). O corpo foi encontrado ao ar livre no fim da madrugada. Essa região do Interior gaúcho registrou temperaturas de 0ºC na terça-feira.
Outro homem, identificado como Vilmar Brazilista, 55 anos, foi encontrado morto em um terreno dos arredores de Panambi, no noroeste do Estado, no domingo.
O Sul teve um dia ainda mais gelado do que anteontem, mas desta vez sem nevar. Após a sequência histórica de neve em cerca de 130 cidades dos três Estados entre segunda e terça-feira, o clima mais seco afastou a chance de o fenômeno se repetir.
A meteorologista Sílvia Garcêz, do Ciram, diz que, como as áreas de instabilidade se dissiparam, as condições para a neve diminuíram. O fenômeno requer um nível expressivo de umidade na atmosfera.