08 de julho de 2026
Internacional

Condutor de trem deve ser indiciado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O maquinista Francisco Garzón Amo, condutor do trem que descarrilou ontem na Galícia, no norte da Espanha, foi intimado ontem a depor na Justiça e deve ser formalmente acusado por ultrapassar o dobro da velocidade máxima permitida no trecho do acidente.


O número de mortos pelo descarrilamento subiu hoje para 80 pessoas. Segundo os jornais “El País” e “El Mundo”, em conversa por rádio com a mesa de operação pouco depois do acidente, Amo afirmou que conduzia a 190 km/h no trecho, onde o limite máximo é de 80 km/h, por se tratar de uma curva fechada na entrada da cidade de Santiago de Compostela.


Garzón, 52 anos, deve ser acusado pelo excesso de velocidade, apesar de as investigações do caso também considerarem a hipótese de falha técnica - os freios podem não ter funcionado.


O tipo de trem que Garzón conduzia, um dos mais modernos da frota espanhola, tem radares internos automáticos que avisam o condutor nos trechos em que a velocidade deve ser reduzida.


Além da Justiça, que ontem recebeu a caixa-preta do trem, o governo espanhol e a Renfe, administradora da linha férrea, abriram investigações próprias sobre o caso.


Ontem, foram divulgadas imagens de uma câmera de segurança que registrou o exato momento em que o trem descarrila. Os vagões centrais são os primeiros a sair do trilho, enquanto o frontal tomba e se choca contra uma parede. Os dois maquinistas sobreviveram. Em sua página no Facebook, já desativada, Amo, que tinha 30 anos de experiência e um ano no trajeto do acidente, havia postado ano passado uma foto do velocímetro de um trem a 200 km/h com a frase “estou no limite”.


Hoje, Garzón prestará depoimento à Justiça assim que sair do hospital.


As buscas por vítimas foram encerradas ontem. Até as 20h (horário de Brasília), 87 pessoas continuavam internadas em hospitais da região, 30 em estado grave, segundo autoridades de Santiago.


Dos 80 mortos, 67 foram identificados. Ao menos dois são estrangeiros (uma dominicana e uma mexicana). A Embaixada do Brasil em Madri não havia registrado brasileiros entre elas. Como faltava reconhecer 13 pessoas, a lista oficial com o nome das vítimas deve sair hoje.