11 de julho de 2026
Regional

Crime bárbaro: jovens são condenados a 48 anos de prisão; veja vídeo

Marcele Tonelli com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Os dois jovens,  João Antônio Bueno de Camargo, 29 anos, e João Henrique Mantuan, 21 anos, acusados de estuprar, torturar e enforcar uma adolescente de 16 anos, no dia 9 de janeiro do ano passado, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), foram condenados a 48 anos de prisão em regime fechado por homicídio duplo qualificado, estupro e ocultação de cadáver. O julgamento invadiu a madrugada e a sentença saiu na manhã desta sexta-feira (26).

Um terceiro envolvido, que tinha 17 anos na época, está internado na Fundação Casa de Iaras e não participou do tribunal.

Renan Casal

Jovens são condenados a 48 anos de prisão

Julgamento

O primeiro dia de julgamento foi marcado por pedidos de Justiça. Com faixas de protestos e vestindo camisetas com a imagem da estudante Franciele Santos Brito, familiares e amigos dela cobravam a condenação dos acusados. “Ela era uma criança apenas e morreu de forma muito brutal. Os assassinos merecem passar o resto da vida na prisão”, desabafou o pai da adolescente, Vanderlei de Brito.


Os réus, João Antônio Bueno de Camargo, 29 anos, e João Henrique Mantuan, 21 anos, chegaram ao Fórum minutos antes do julgamento, previsto para as 9h, algemados, e em viaturas diferentes. Eles respondem por estupro, homicídio e ocultação de cadáver. Um agente penitenciário ficou entre os dois para evitar contato entre eles. O terceiro envolvido no caso, que é irmão de João Antônio e, na época, tinha 17 anos, está internado na Fundação Casa de Iaras.


Pela manhã, a reportagem foi impedida por funcionários do Fórum de fazer imagens do rosto dos réus. Eles alegaram estar atendendo a uma determinação do juiz que atua no caso, Ricardo Venturini Brosco. Tanto a acusação quanto a defesa apresentaram cinco testemunhas. A primeira a depor, de acusação, foi o delegado titular do município, Jader Biazon, responsável pelas investigações na época do crime.


Ele descreveu com detalhes, por exemplo, as condições do local em que o corpo da jovem foi encontrado, um curral às margens da avenida João Wolber, Jardim Márcia. À tarde, uma interrupção no fornecimento de energia fez com que os trabalhos fossem suspensos por quase uma hora. Até o fechamento desta edição, a última testemunha de defesa ainda prestava depoimento. Na sequência, o juiz iria interrogar os dois acusados.


A expectativa maior era pelos debates entre os advogados de defesa e o promotor de acusação, Luiz Carlos Gonçalves Filho. Na sequência, seria realizada a votação de quesitos e leitura da sentença. O corpo de jurados é formado por duas mulheres e cinco homens.


Perfil da vítima


Tímida, alegre, tranquila, estudiosa, sem inimigos e nada festeira. É assim que Franciele Santos Brito foi descrita pela família. Na época do crime, segundo o pai dela, o operador de máquinas Vanderlei de Brito, 48 anos, a jovem cursava o 1º ano do ensino médio na escola estadual Padre João Batista de Aquino e fazia bicos como babá de uma criança de 5 anos.


“Ela estava muito feliz com o dinheirinho que estava ganhando e conseguindo comprar suas coisas. Era uma menina estudiosa e nem saía muito à noite. Adorava conversar e assistir televisão”, diz o pai, que, na época, era divorciado da mãe da vítima. “Ainda vejo ela entrando pelo portão da minha casa e me chamando. A ficha não caiu, mesmo depois de todo esse tempo”, declara.


A menina morava com a mãe, Sueli de Fátima Santos, e com oito irmãos em uma casa no bairro Santa Angelina. “No dia em que tudo aconteceu, ela chegou em casa, tomou banho e saiu rápido, não dizendo para onde ia. Achamos que ela estivesse na casa de uma amiga, onde sempre ficava, mas ela tinha ido ao bosque encontrar um menino. Acho que era o primeiro flerte dela”, comentou a irmã Valéria Santos Brito, 19 anos.


O trajeto da casa da menina até o bosque é de cerca de seis quadras. Um detalhe curioso é que um dos acusados, João Henrique, morava a poucos metros da residência da vítima. “Ficamos surpresos quando soubemos do envolvimento dele. Morávamos a meio quarteirão. Não conversávamos, mas o conhecíamos”, conta Valéria, afirmando que o celular da vítima teria sido encontrado com o réu após o crime.


O crime

Segundo o que foi apurado pela Polícia Civil, no dia 9 de janeiro do ano passado, por volta das 21h, Franciele Santos Brito foi agredida a pauladas, estuprada e enforcada com uma corda por João Antônio, seu irmão, hoje com 18 anos, e pelo amigo deles, João Henrique, em um curral no Jardim Márcia.


No corpo da vítima, foram encontradas marcas de queimaduras causadas por pontas de cigarro. Antes de abandonar a garota no local, nua, eles introduziram um pedaço de madeira na vagina dela. O corpo de Franciele só foi encontrado na madrugada do dia 11, após denúncia anônima feita por um dos envolvidos.


O adolescente foi detido no mesmo dia e, além de confessar o crime, revelou a participação do irmão. Os dois, porém, negaram a violência sexual. Eles também revelaram que havia um terceiro envolvido, amigo deles, João Henrique, que também foi detido.

Vídeo mostra o momento em que o juiz anuncia a pena dos acusados

Fórum de Agudos/Divulgação