08 de julho de 2026
Geral

HE é o maior afetado pela greve

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A maior entre as cinco unidades geridas pela Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) em Bauru, o Hospital Estadual é o principal atingido pela greve dos funcionários da saúde, que entrou no seu terceiro dia hoje. A informação foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa da fundação e reforçada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru (Seessb).

 

Malavolta Jr.

Apenas 17 leitos de internação em clínica médica estão ocupados no Hospital Estadual

Segundo os funcionários, todas as cirurgias eletivas agendadas para ontem foram desmarcadas e apenas as de urgência foram realizadas. “No primeiro dia, a agenda foi mantida porque muitos funcionários que não aderiram à greve aceitaram cumprir horas extras. Hoje (ontem), isso não aconteceu”, conta uma funcionária, que preferiu não se identificar.


Por conta da falta de pessoal, apenas 17 dos 40 leitos de internação em clínica médica (que recebem pacientes com doenças que não demandam cirurgia) estão ocupados. Já os leitos de clínica cirúrgica, onde ficam os pacientes submetidos à cirurgia, estão operando quase com capacidade máxima. Dos 40, 38 estão ocupados. Já os leitos de UTI permanecem lotados.


A informação é de que o ambulatório é um dos poucos serviços que continua funcionando normalmente. A coleta de material biológico dos pacientes internados para a realização de exames laboratoriais, por exemplo, só está sendo realizada na parte da manhã. Antes da greve, ocorria nos três períodos do dia.


A Famesp alega que, nos hospitais de Base (HB) e Manoel de Abreu, Maternidade Santa Isabel e Ambulatório de Especialidades Médicas (AME), a rotina de trabalho foi mantida sem grandes transtornos. Mas a reportagem percorreu as unidades e apurou, junto aos grevistas, redução significativa no volume de procedimentos.


A exceção é a maternidade, onde a adesão acabou sendo pequena. Pelo acordo firmado no Ministério Público do Trabalho (MPT), 70% dos funcionários deveriam trabalhar durante a greve. Mas, de acordo com o Seessb, a proporção de servidores em atividade é de cerca de 90%.


“Como a maternidade conta com poucos funcionários, se 70% parasse, certamente alguns serviços também parariam. Então, eles preferiram continuar trabalhando”, destaca a presidente do sindicato, Vera Lúcia Salvadio Pimentel.



Sem banho


No Manoel de Abreu, que atende 48 pacientes das áreas de infectologia, clínica médica e dependência química, houve cancelamento de todos os exames laboratoriais, que habitualmente são realizados no HE. “Os funcionários não estão dando conta nem de dar banho nos pacientes que precisam. Então, estão sendo feitas apenas a higienização básica e a troca de fralda”, pondera um enfermeiro.


De acordo com os funcionários, ontem, nenhuma nova internação teria sido aceita pela unidade, que possui um alto índice de rotatividade e recebe, normalmente, cerca de três ou quatro pacientes a cada dia. No Hospital de Base, as cirurgias eletivas não foram interrompidas completamente, mas sofreram redução, com priorização dos casos de urgência e emergência.


No AME, embora nenhuma consulta tenha sido suspensa, houve grande redução no número de pacientes, principalmente daqueles vindos de outras cidades da região. “Provavelmente, por conta da paralisação, as prefeituras tenham suspendido o transporte desse pessoal”, analisa uma grevista.


Por este motivo, a espera por atendimento foi, em média, de apenas uma hora. Os retornos médicos, no entanto, só voltarão a ser agendados a partir da próxima quarta-feira. Exames laboratoriais também foram suspensos.

Queda de internações

Embora não esteja envolvido na greve, o Pronto-Socorro Central (PSC) sofre diretamente com os efeitos da paralisação. Por conta da redução de pessoal nas unidades hospitalares, o volume de vagas de internação liberadas pela Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) caiu vertiginosamente.


No dia 24, véspera da deflagração do movimento, 17 pacientes do PSC foram encaminhados para leitos de internação nos hospitais de Base e Estadual. No primeiro dia de greve, anteontem, o patamar caiu para cinco internações e, ontem, foram apenas seis.


“Isso é reflexo direto da paralisação”, reitera o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag. Ainda ontem, 30 pessoas aguardavam na fila de espera, sendo que algumas delas haviam chegado ao PSC há uma semana.

Funcionamento

Na Maternidade Santa Isabel trabalham cerca de 90% dos funcionários. No Hospital Manoel de Abreu e HB, permanecem em atividade 70% dos trabalhadores. No AME, continuam trabalhando 50% dos funcionários. Já o HE opera com 50% dos trabalhadores nos ambulatórios, 70% na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 50% no centro cirúrgico.


O contingente deve ser mantido até a próxima terça-feira, quando funcionários, poder público e Famesp se reunirão para uma audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT). Caso nenhum acordo seja firmado, a categoria promete intensificar as paralisações, diminuindo ainda mais o efetivo dentro das unidades de saúde a partir da próxima quarta-feira.

Maternidade

Na Maternidade Santa Isabel, cerca de 90% dos funcionários continuam trabalhando, embora o acordo firmado junto ao Ministério Público do Trabalho tenha imposto mínimo de 70% do efetivo. Na unidade, a tranquilidade era tamanha que Natalina Cipriano, 52 anos, nem notou a existência de greve. Ontem, ela foi à maternidade para acompanhar sua filha, que deu à luz uma menina. “Ela chegou às 6h e o bebê nasceu às 14h. Fomos bem atendidos, não houve demora. Foi tudo bem tranquilo”, assegura.

Manoel de Abreu 

Mesmo com o frio, cerca de dez funcionários em greve permaneceram ao longo de todo o dia em frente ao hospital. De acordo com eles, exames e internações sofreram redução. “Nossa intenção não é prejudicar o paciente, que, inclusive, apoia nossa causa. O que a gente quer são melhores condições de trabalho. Não sabemos qual será o resultado, mas continuaremos lutando”, aponta a técnica de enfermagem Sônia Regina Marques.

Hospital de Base

As cirurgias eletivas não foram interrompidas completamente, mas sofreram redução, segundo o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru (Seessb). “A situação está crítica, mas, dentro do possível, está sendo contornada”, afirma a presidente Vera Lúcia Salvadio Pimentel. De acordo com ela, muitos funcionários começaram a pressionar a entidade para reduzir o percentual de 70% de trabalhadores em atividade para o mínimo de 30% exigido pela Lei de Greve.

AME

Exames laboratoriais foram suspensos e o agendamento de retornos médicos só será retomado na próxima quarta-feira. Segundo funcionários, o movimento de pacientes foi abaixo do normal, embora nenhuma consulta tenha sido desmarcada. A hipótese é de que os municípios, sabendo da greve, tenham suspendido o transporte de pacientes vindos de outras cidades. “Estão dando conta do serviço porque muitos funcionários com cargo de chefia estão fazendo tarefas de técnicos”, argumenta uma servidora, que preferiu não se identificar.