10 de julho de 2026
Bairros

Simulação recria acidente com três aeronaves no Aeroclube

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma verdadeira operação de guerra com a participação de quase 150 homens foi organizada durante o socorro de um acidente envolvendo três aeronaves no Aeroclube de Bauru, ontem pela manhã. A simulação, inédita na cidade considerada Capital do Voo à Vela, integra a jornada de prevenção de acidentes aéreos e segurança operacional.


Uma aeronave modelo Aero Boero, rebocadora de um planador que estava em decolagem, colidiu contra o helicóptero Águia da Polícia Militar (PM), que também decolava para um voo emergencial em atendimento a uma ocorrência de roubo na cidade.


Com a colisão, as três aeronaves caíram ao solo. O helicóptero e o rebocador tiveram princípios de incêndio.


O acidente resultou na simulação de duas vítimas fatais, o piloto do planador e do Aero Boero, além de seis vítimas em estado grave, que exibiam as maquiagens representando queimaduras de terceiro grau, traumatismos e fraturas. Os figurantes eram funcionários do Samu que não atuam no turno da manhã.


O exame atendeu a uma resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que determina a realização de simulações em municípios provedores de serviços de aviação civil para treinar e medir o tempo de resposta das ações que envolvem todo o socorro dentro e fora do acidente. Participaram da ação a Base de Radiopatrulha Aérea, o Aeroclube de Bauru, o Departamento Aeroviário do Estado (Daesp) e a Infraero, além do Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Defesa Civil, o 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), o Instituto Medico Legal (IML) e o Tiro de Guerra.



O socorro


A ação durou 45 minutos, desde a comunicação do acidente pela radiopatrulha à Central de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom) e da Polícia Militar (Copom) até o socorro da última vítima.


Tempo 15 minutos menor do que o estimado inicialmente pelo coordenador do simulado, capitão Wagner José da Silva, da Base de Radiopatrulha. “Tentamos simular o que de mais possível poderia acontecer na cidade e testamos a capacidade de todos os órgãos frente ao tempo de resposta. Esperávamos encerrar o atendimento em até uma hora”, explica o capitão.


As primeiras viaturas a chegarem foram dos órgãos de aviação, do Corpo de Bombeiros e motos do Samu.


Após conterem os incêndios, os bombeiros imobilizaram as vítimas e delimitaram o acesso à área.


Logo depois, chegaram outras quatro viaturas do Samu acompanhadas por policiais militares que bloqueavam o trânsito nas vias da cidade.


Ao mesmo tempo, equipes comunicavam o Hospital Estadual para o atendimento dos queimados e o Hospital de Base para cirurgias de emergência e demais atendimentos.


Em seguida, a informação sobre a suspensão de pousos e decolagens foi emitida via rádio. Neste momento, o comando aéreo iniciaria uma investigação preliminar sobre o ocorrido, se o fato fosse real.


A Defesa Civil e o serviço social também estiveram no local simulando o auxílio na remoção dos corpos e serviços do IML.

 

Triagem

Com a chegada de todo o efetivo do Samu, um posto de médico avançado para dar destino aos feridos foi montado a alguns metros das aeronaves.


No local, lonas de cores diferentes eram estendidas para separar os feridos de acordo com a gravidade: a cor verde recebia pessoas com lesões leves; a cor vermelha, feridos graves com risco de morte; na lona amarela, estavam os pacientes graves sem risco de morte; e em uma lona preta, os mortos.


Ao mesmo tempo, a equipe com cerca de 30 agentes do Samu realizava os procedimentos emergenciais para cada caso.


As vítimas fatais foram as últimas a serem resgatadas das aeronaves.


Durante o socorro, o prefeito Rodrigo Agostinho chegou ao local e simulou uma situação em que se colocava à disposição para as necessidades resultadas da tragédia.


Também estava presente o diretor social do Aeroclube, Emílio Fanton, que acompanhou todas as ações junto à radiopatrulha.