Pizza, pãozinho saindo do forno na padaria, macarrão, lasanha, massas em geral. Quem não gosta? Difícil. Quem pode? Quase todo mundo...quase. Porque nem todas as pessoas estão liberadas ao consumo de alimentos que fazem parte de nosso dia-a-dia e, consequentemente, dentro das necessidades nutricionais diárias.
Em termos de Brasil, o contingente de pessoas que não podem consumir o glúten, proteína encontrada nos alimentos concebidos à base de trigo, está na faixa de dois milhões de indivíduos. São os portadores do mal conhecido como doença celíaca, causada pela intolerância permanente à substância.
Em Bauru, a estimativa de casos, assim como em todo o Estado de São Paulo, observa a médica endocrinologista Telma Gobbi, está acima da quantidade de diagnósticos média contabilizada no País.
“As estatísticas, de forma geral, são falhas. Mas, no Brasil, a incidência é de um caso a cada 200 pessoas”, contabiliza a médica. “No Estado de São Paulo, observamos maior ocorrência, até pelo maior poder aquisitivo aliada à maior facilidade no diagnóstico. Bauru, assim como outras cidades paulistas, tem um caso para cada 150 pessoas”, detalha a especialista.
A médica admite que o tratamento é penoso para o paciente, que fica privado do consumo de grande parte dos alimentos. “Tratamento é dieta”, resume a médica, que também é vereadora. “A maioria dos produtos contém glúten”, acentua.
Sem proteína
Os produtos concebidos sem a proteína ainda estão em faixa de preço acima dos alimentos tradicionais. No entanto, a médica acredita que num futuro, nem tão próximo, estariam mais acessíveis. “É um processo semelhante ao ocorrido quando se iniciou a fabricação de alimentos diet. No início eram escassos e caros. Hoje são comuns e mais baratos”, compara.
Além do trigo, alimentos com base em centeio, cevada e aveia também apresentam a proteína que, em pessoas com deficiência para processá-la, resulta em diarreia crônica acompanhada, geralmente, por distensão abdominal e perda de peso. Os pacientes também podem apresentar falta de apetite, alteração de humor com irritabilidade ou apatia, vômitos e anemia.
Apesar de pouco conhecida, a doença, de acordo com estudos recentes, se mostra mais frequente do que se imagina. A adesão ao tratamento é prejudicada, justamente, pela falta de informação.
Pessoas de todas as idades estão sujeitas ao desenvolvimento do problema, que é autoimune e hereditária, tornando imprescindível que parentes de primeiro grau de celíacos se submetam a testes para detecção. O público mais vulnerável é formado por crianças entre seis meses e cinco anos, sendo que o sexo feminino é mais propenso à intolerância ao glúten.
Radical
O tratamento é a exclusão total do glúten na dieta alimentar, com a abolição de pães, bolos, biscoitos, macarrão, cereais, pizzas e demais alimentos que contenham farinha de trigo, aveia ou cevada.
A saída é mesmo variar. Linhas de pães integrais feitos sem farinha de trigo, entre eles produtos da linha antroposófica, são alternativa. Entretanto, existem alguns alimentos saborosos e bastante conhecidos que estão liberados até mesmo para pessoas portadoras da doença celíaca, destaca a nutricionista Maita Buvolini.
Entre eles, o tradicional pão de queijo, produzido com massa a base de polvilho. “Biscoitos com esse ingrediente e outras receitas são boa alternativa. O polvilho é uma saída para a restrição ao trigo”, comenta. “As opções são limitadas”, reconhece. “Assim como os custos”, admite a nutricionista.