A coluna Entrelinhas do JC de 25/7 publicou comentário intitulado "No plenário". O assunto aborda o projeto que dispõe sobre a contratação pela Prefeitura Municipal de Bauru de policiais militares em dias de folga. Segundo o comentário, as discussões na próxima sessão do Legislativo prometem ser quentes. Um grupo de vereadores é contrário à contratação, outro é favorável.
Entendo que o grupo de vereadores contrário à contratação de policiais em dias de folga está certo. O correto é o governo do Estado aumentar os salários dos policiais militares e proibir que trabalhem em dias de folga. Faço um paralelo com o exercício do magistério, quanto à carga horária do trabalho docente e sua remuneração.
Quando ingressei no magistério público primário estadual, no início de 1950, a carga horária do trabalho docente do professor primário era apenas de quatro horas diárias, vedado dobrar período, isto é, trabalhar de manhã e à tarde.
Posteriormente, ao invés do governo aumentar a remuneração, o professor lecionava em dois períodos. O professor não teve aumento de salário com a mesma carga horária de trabalho, mas sim o dobro das horas trabalhadas. Houve prejuízo na saúde física do professor com o aumento da fadiga e desempenho pedagógico com reflexos no aproveitamento do aprendizado dos alunos. O preparo das aulas, a elaboração dos trabalhos escolares ministrados aos alunos e sua correção também foram afetados de modo prejudicial.
A remuneração do professor não é apenas um problema de justiça social, mas também da valorização dos profissionais do ensino e um problema pedagógico na sua eficácia. Do mesmo modo, o trabalho do policial militar é muito desgastante, nas suas condições de trabalho, refletindo na sua saúde física e mental, resistência e fadiga, etc.