08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vamos importar políticos


| Tempo de leitura: 2 min

A importação de profissionais é a nova panaceia do poder público para a Saúde. A falta de estrutura para esses médicos trabalharem, já apresentada em diversos debates e por muitos especialistas no assunto (inclusive aqui no JC, em "Somos médicos, não mágicos" ou "A cólica renal da presidente") não é levada em conta. Em breve teremos propostas para que se importem professores estrangeiros (já importam modelos pedagógicos) e a Educação no Brasil estará salva.

O governador paulista já apontou várias vezes e reiterou na entrevista de domingo que o futuro é escola em tempo integral. Mentiu que isso se dá à medida que temos prédios. Como todas as medidas governamentais (independente de partido político, como parecem crer alguns), vem de cima para ser acatada, havendo ou não estrutura.

A ideia é ótima, crianças aprendendo o dia inteiro, não só os conteúdos básicos mas também música, dança, teatro, esportes, artesanato, etc, quem sabe com profissionais estrangeiros? Na prática é tirar crianças da rua, afastando das drogas e da criminalidade, medida também louvável, embora equivocada. E eleitoreira.

O problema maior está sempre na estrutura. Por exemplo, o governador falou em quatro refeições por dia, o que eu duvido, mas não falou qual o "cardápio", ou isso não é importante? E quanto ao banho, já começaram a instalação de chuveiros? Com certeza, é outra questão irrelevante.

A verdade é que não haverá locais apropriados nem profissionais, quem já trabalha nas escolas mais uma vez terá que acatar a decisão, que já está tomada. E depois o ensino fundamental será todo municipalizado, e o ensino médio extinto. O Estado se concentrará no técnico e tecnológico, teoricamente formando mão de obra qualificada, mas na prática tudo caminha para que se formem operários-padrão, máquinas produtoras sem capacidade de pensar e agir com autonomia.

Mas como a moda agora é buscar solução no Exterior, proponho aos cidadãos um novo modelo de administração pública. Situações extremas exigem medidas extremas: vamos importar políticos. Deputados, senadores, ministros, governadores, todos estrangeiros. Virão em aviões da FAB. Nem me incomodaria de usar o termo feminino "presidenta", desde que ela fosse, sei lá, finlandesa.

Marco Aurélio Ribeiro