08 de julho de 2026
Internacional

Violência pode gerar desastre, diz ONU


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A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu ontem que a escalada de violência no Egito pode levar o país "ao desastre". Em comunicado, ela também solicitou que as partes em conflito deixem de lado suas diferenças e abram um diálogo nacional para restaurar a ordem por meio de eleições diplomáticas e pacificadoras.


No governo egípcio, há discursos conflitantes a respeito da violência. O ministro do Interior, Mohammed Ibrahim, disse que evacuaria os acampamentos islâmicos e ontem reafirmou que a polícia confrontará "com toda dureza" as tentativas de "invejosos" de desestabilizar o país. Já o vice-presidente Mohammed El-Baradei, nobel da Paz de 2005, escreveu no Twitter que "condena energicamente o uso da força e as mortes" no país.


"Esta situação está levando o país ao desastre", escreveu Pillay. "Estou preocupada com o futuro do Egito se o Exército e outras forças de segurança, bem como alguns manifestantes, continuarem com os confrontos e com a agressão como bandeiras. Os ativistas da Irmandade Muçulmana têm o direito de protestar pacificamente como qualquer outra pessoa".


Na madrugada de sábado, as forças de segurança do Egito atacaram um acampamento de apoiadores de Mohammed Mursi, o presidente eleito deposto por um golpe militar no começo de julho. O governo já reconheceu 72 mortos. Segundo Pillay, "é extremamente urgente que se leve a cabo uma investigação confiável e independente, e se ela concluir que as forças de segurança usaram força excessiva, os oficiais responsáveis devem ser levados à Justiça".


 

Repercussão


A situação já atraiu reações de diversos países.


O secretário de Estado americano, John Kerry, disse ontem que seu país está "profundamente preocupado" com "o derramamento de sangue e a violência" das últimas horas no Egito, que deixou pelo menos 72 mortos.


As autoridades egípcias "têm a obrigação moral e legal de respeitar o direito de se manifestar de maneira pacífica e a liberdade de expressão", declarou Kerry, em nota. "A violência fez o processo de reconciliação e de democratização do Egito retroceder, mas também tem um impacto negativo na estabilidade da região", destacou.


A Alemanha encaminhou comunicado ao governo egípcio solicitando que sejam permitidas manifestações pacíficas e que seja feito todo o possível para evitar uma nova escalada de violência. "O futuro do Egito só pode se configurar pelo diálogo, não pela violência", escreveu Guido Westerwelle, ministro alemão das Relações Exteriores


 O Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou nota também pedindo a moderação.


"O Brasil reitera o repúdio a todas as formas de violência, praticadas sob qualquer pretexto, e conclama a todas as partes envolvidas a seguir processo inclusivo que leve ao pleno restabelecimento da ordem constitucional e ao fim da violência e das detenções polítcas, com espírito de moderação, de respeito à pluralidade ideológica e religiosa e de reconciliação entre as forças políticas, para que possam ser realizadas as justas aspirações da população egípcia por liberdade, democracia e prosperidade", diz o comunicado do Itamaraty.