09 de julho de 2026
Geral

Moção na Câmara pede transformação do IPA em escola de policiais

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Os vereadores Sandro Bussola e Telma Gobbi apresentaram o documento, ontem

Ganhou força na Câmara Municipal de Bauru a proposta de transformação do Centro de Progressão Penitenciária (CPP 3), o antigo IPA de Bauru, em uma escola para formação de policiais militares aprovados em concurso público, oriundos do Interior do Estado. Os vereadores Telma Gobbi (PMDB) e Sandro Bussola (PT) apresentaram ontem uma Moção de Apelo ao governador Geraldo Alckmin.

No texto, os parlamentares pedem ainda que o restante da área do extinto IPA seja transformado em um Colégio Agrícola, considerando a grande dimensão do CPP 3, permitindo a disponibilização de vagas escolares para formação especializada no setor, como já ocorreu no passado.

Como mostrou a edição de domingo do Jornal da Cidade, a desativação do Instituto Penal Agrícola (IPA) de São José do Rio Preto sinalizou a possibilidade de transformação da finalidade do CPP 3 de Bauru. As informações foram apuradas a partir de conversas de bastidores entre lideranças políticas e forças vivas da cidade.

Telma e Sandro apontam que apenas Pirituba (em São Paulo) possui uma unidade de formação de policiais militares. “Por sua localização estratégica no Estado de São Paulo, a nossa cidade teria condições de formar novos profissionais para atuarem em todo o Interior paulista, suprindo as demandas da corporação”, justifica a Moção, que será submetida às comissões do Legislativo municipal e pode ser votada já na sessão da semana que vem.

O petista lembra ainda que a possível nova destinação do CPP 3 é coerente com uma das principais vocações de Bauru na atualidade, que é a prestação de serviços em Educação.

Contrapartida

Líder do governo municipal na Câmara, Renato Purini (PMDB) também defendeu a proposta. Ele afirma que a transformação do antigo IPA em escola de formação de policiais militares serviria como uma contrapartida aos impactos na segurança pública causados pelas outras duas penitenciárias na cidade.

“Se não conseguimos o segundo Batalhão da Polícia Militar, que venha a escola. A moção de apelo é um excelente caminho para manifestarmos esse nosso desejo”.

No mesmo sentido, Sandro Bussola lembrou que as penitenciárias de regime semiaberto trazem outros tipos de impactos, entre eles o social. “A família dos internos vem junto. Cresce a demanda por escolas e postos de saúde, por exemplo”.

Purini, no entanto, foi mais longe ao dizer que a escola de policiais seria também uma contrapartida à atividade delegada, aprovada ontem pelos vereadores. “De certa forma, o município está assumindo uma atribuição do Estado”, pontuou.

Modelo ultrapassado

Além disso, o peemedebista alega que o atual sistema penitenciário – que adota o regime de progressão – faz com que o IPA perca a necessidade de existir. Desde o êxodo rural da década de 70 no País, houve mudança significativa no perfil dos presos do regime semiaberto em São Paulo. É cada vez mais raro encontrar presos que vivem no campo - quase todos têm origem urbana.

Por isso o modelo de presídio para manter atividades rurais levou a rever o atual sistema que funcionava em Rio Preto até dezembro de 2010, muito diferente da década de 50, quando da criação dessas unidades prisionais semiabertas que tinham objetivo de ressocializar o preso por meio do trabalho no campo. O de Bauru foi criado em 1955.