Em audiência ontem no Ministério Público do Trabalho (MPT), finalmente foi definido que a gerência dos planos de saúde dos trabalhadores de transporte coletivo ficará com as empresas. Contudo, mesmo com o acordo, a categoria está mais próxima de declarar nova greve em Bauru na próxima semana. Os motoristas deram ultimato de até terça-feira para que a proposta de novos planos seja apresentada.
A audiência contou com representantes da Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo – responsável pela greve de junho –, do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran) e da Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Bauru (Transurb), além do presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PT).
Após pouco mais de uma hora de negociações, foi firmado um acordo para que os planos de saúde sejam ofertados pelas empresas sem o intermédio do Sindtran. A pendência do gerenciamento dos planos, que abrange inclusões, alterações e exclusões de titulares e dependentes, arrasta-se desde antes da greve deflagrada em junho.
A Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo reclama que, como os planos de saúde estão “nas mãos” do Sindtran, a entidade usa isso para conseguir a filiação de trabalhadores.
“O Ministério Público fez a proposta no sentido de tirar do sindicato a interveniência dos planos de saúde. As empresas concordaram e o sindicato concordou. O que ocorre é que as empresas pediram 30 dias para estudar planos de saúde a serem oferecidos aos trabalhadores”, explica o procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael.
O MPT concedeu tal prazo. “Durante esse período, os motoristas continuarão cobertos pelo plano de saúde oferecido pelo sindicato”, complementa o procurador.
Entretanto, a Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo deu ultimato com data-limite bem menor. A categoria afirma que, se até a próxima terça-feira as empresas não apresentarem as propostas do plano, a greve será deflagrada.
“A categoria não concorda com o que foi firmado hoje. Querem a cotação dos planos até terça. O que foi firmado hoje pode trazer prejuízos ao trabalhador”, aponta o advogado da comissão, Hudson Chaves.
De acordo com ele, os planos de saúde, agora nas mãos das empresas, precisam ter a mesma cobertura e os mesmos custos do que era ofertado pelo Sindtran. “Do jeito que ficou, cobriu a cabeça e descobriu os pés. Na primeira audiência, as empresas disseram que, se houvesse diferença de preços, elas cobririam. Hoje (ontem), não se comprometeram mais a isso”, complementa o advogado.
Transurb
Por meio da assessoria de comunicação, a Transurb se limitou a dizer que “a associação cumprirá os termos acordados na audiência”. Assim, não comentou o ultimato dado pelos motoristas com o prazo até terça e nem se há possibilidade de cobrir as possíveis diferenças de preços.