A alta de 11,6% do dólar em relação ao real no ano preocupa quem precisa comprar moeda americana para compromissos no exterior.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, que terminou na quinta-feira (1) em R$ 2,30 -maior valor desde desde março de 2009- fechou hoje (2) próximo a esse preço: R$ 2,28, em queda de 0,86%.
O alívio na cotação foi favorecido por nova intervenção do Banco Central, que vendeu US$ 1,749 bilhão em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Para economistas ouvidos pela reportagem, porém, a tendência da moeda americana é subir, diante da perspectiva no mercado de que o BC americano reduzirá o estímulo econômico nos EUA em breve.
A aposta persiste baseada em dados positivos sobre a economia do país, como a expansão maior que a prevista do Produto Interno Bruto no segundo trimestre (de 1,7%) e a queda do desemprego em julho para 7,4%, o menor nível em mais de quatro anos.
Para injetar recursos na economia, o BC americano recompra mensalmente, desde 2009, US$ 85 bilhões em títulos do governo -e parte desse dinheiro se transforma em investimentos em outros países, inclusive o Brasil.
Com a redução desse incentivo, os recursos disponíveis para aplicações vão diminuir e, com a perspectiva de menos dólares no Brasil, o preço da moeda sobe.
Além disso, investidores preveem que, encerrada a recompra de títulos, o próximo passo será o aumento do juro dos EUA, hoje quase zero.
Juro mais alto deixa os títulos do Tesouro americano, remunerados pela taxa, mais atraentes que aplicações de maior risco, como em Bolsa, especialmente de emergentes.
"A pressão de alta sobre o dólar continuará até uma definição sobre os estímulos nos EUA", diz Waldir Kiel, economista da H.Commcor Corretora.