07 de julho de 2026
Saúde

A força do colo de mãe


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No filme "Minha mãe é uma peça", sucesso em cartaz nos cinemas, Dona Hermínia (personagem interpretada pelo ator e comediante Paulo Gustavo) sabe que o filho é gay, mas chega a fingir um desmaio para não falar do assunto. Na novela "Amor à vida", Pilar (Susana Vieira) também sempre evitou admitir a verdadeira orientação sexual de Félix (Mateus Solano).

Mas, quando o segredo vier à tona nesta semana, terá uma conversa emocionante com o vilão: "Você continua sendo meu filho amado. Essa revelação não muda nada entre a gente".

Assim como ela, muitas mulheres abraçaram seus filhos gays - e os namorados deles - na vida real. Três delas nos contam como venceram seus preconceitos para construir histórias de amor que servem de exemplo.

Glória e Diego

Glória Maria Bustamante, de 64 anos, ansiava pela chegada do neto quando tudo mudou. A nora, obrigada pelo pai, fez um aborto. E o noivado de seu filho caçula, Diego Sandino Abeyá, chegou ao fim. As novidades, porém, não pararam.

Dois anos depois, o jovem, então com 23, revelou que estava namorando de novo: um homem. "Levei um susto porque não desconfiava", diz Glória. "Mas quando ele se abriu comigo, aceitei. É meu filho, igual aos outros dois. Mãe não pode reprimir, tem que apoiar".

Quando o namoro acabou, foi a ela que Diego recorreu. "Pedi colo de mãe para falar sobre um homem pela primeira vez. E ela não botou pilha para eu voltar a ficar com mulher. É minha conselheira até hoje", conta ele.

Agora aos 33 anos, há oito com o cabeleireiro Pedro Kita, seu sócio em um salão em Niterói, o empresário vai oficializar a união. Mera formalidade para Glória. "Eles já são casados, moram comigo esse tempo todo!"

Neuzamir e Victor

Aos 18 anos, o produtor cultural Victor De Wolf, hoje com 31, decidiu contar a Neuzamir que era homossexual. E o fez sem rodeios. Entrou no quarto e disse: "Mãe, eu sou gay". "Comecei a chorar e fiz uma pergunta que agora sei que é idiota: ?Onde foi que eu errei??", admite a advogada, de 64.

"Seria hipócrita se dissesse que achei natural. Fiquei meio perdida. No fundo, você não quer. Depois é que vai aceitar". Aos poucos, ressalta Victor, Neuzamir foi abraçando o filho e também a causa.

Após quase ser espancado por sua orientação sexual, o produtor fundou uma ONG contra o preconceito, o Grupo Diversidade Niterói, e fez da mãe sócia fundadora. "Tenho o maior orgulho do meu filho, sempre tive. E não tenho vergonha de dizer que ele é gay. Às mães que se recusam a ver, aconselho tirar a venda dos olhos, abraçar seu filho e dizer que está com ele. Só assim ele será feliz".

Isabel e Pedro

"Foi minha mãe quem me arrancou do armário", atesta o carioca Pedro Magalhães, de 25 anos. Isabel Vieira, de 48, percebeu que o mais velho de seus três filhos era gay antes que ele próprio entendesse isso. E não fez vista grossa: chamou-o para conversar.

Mas Pedro, aos 15, não estava pronto. Nem ela. "Respeitei o tempo que ele precisava para se encontrar, entender o que sentia. E eu também tinha que me trabalhar, porque ninguém deseja que o filho seja gay. A gente deseja que ele cresça, estude, trabalhe, seja feliz", conta.

Mas, ansiosa, volta e meia, no meio do jantar ou de um engarrafamento, fazia a temida pergunta: "Então, e aquela nossa conversa?". Ela só aconteceu depois que Pedro voltou do Japão, onde passou um ano estudando.

Aos 23, mais seguro após a experiência fora, era a vez de o filho chamar a mãe. "Foi como se ele tirasse um peso das costas", lembra Isabel. "E um alívio para mim também, porque eu já sabia e já aceitava". Hoje, Pedro namora sério há dois anos. "Ganhei mais um filho. João é uma pessoa maravilhosa", elogia a sogra coruja.