09 de julho de 2026
Internacional

Egito: chefe militar critica Obama e cobra mais apoio de Washington

Folhapress
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Abdel Fatah al-Sisi, chefe militar egípcio e homem mais poderoso do país após a deposição do presidente Mohammed Mursi em julho, criticou duramente o governo Barack Obama por não apoiar integralmente o novo governo.

Em rara entrevista ao jornal "Washington Post" publicada neste sábado (3), al-Sisi descreve o golpe contra Mursi como o movimento "de um povo livre que se rebelou contra um regime injusto."

Aos EUA, disse: "Vocês abandonaram os egípcios. Vocês viraram as costas para os egípcios, e eles não vão se esquecer disso. Agora vocês vão continuar dando as costas para os egípcios?"

A crise política no Egito é um desafio diplomático para os EUA, uma vez que o governo americano tem de, por lei, interromper seu auxílio se considerar a deposição um golpe de Estado.

Washington tem evitado a palavra golpe, mas após episódios violentos com dezenas de mortos pela repressão militar no Egito, o Pentágono decidiu congelar a entrega de quatro caças F-16 ao país.

Na entrevista, al-Sisi criticou a interrupção do envio militar. Cobrou dos EUA pressão sobre a Irmandade Muçulmana, movimento ao qual Mursi é ligado, para resolver o conflito no país.

"O governo dos EUA tem um um grande poder de alavancagem e influência com a Irmandade Muçulmana, e eu realmente gostaria que usasse esse poder para resolver o conflito", disse al-Sisi.

O governo interino no Egito promete realizar novas eleições num prazo relativamente curso, cerca de seis meses. Ao "Washington Post", o general disse não ter interesse em concorrer à Presidência, mas não descartou a possibilidade.