09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Estátuas, qual a mais liberta?


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Bauru ganha presentes nos seus 117 anos e um deles em forma de imenso totem na entrada principal da cidade, uma réplica da famosa Estátua da Liberdade. Sim, ela mesmo e, como não poderia deixar de ser, causando certa polêmica quando levantada e instalada num local de grande visibilidade. Idealizada pelos empreendedores da Havan, uma empresa do sul do país, que a tem como símbolo. Seus sócios gostam de vê-la defronte seu negócio e a levantam por onde estejam.

Nesse mesmo exato momento outras tantas foram erguidas e outras o serão pelo interior paulista. Verdadeira invasão de um símbolo, que quando criado representou uma coisa e hoje, pelo momento atravessado pelo país onde está fincada, representa justamente o oposto. Meramente símbolos. Uns decididamente contrários, com justificativas até bem convincentes e do outro lado, as do mercado, também convincentes, pois detendo o capital levantam seus ícones como algo mais do que natural. Propiciam empregos, detém o capital, é deles o título de propriedade da área e assim sendo, não discutem, decidem.

A boa polêmica demonstra que entrar na discussão é mero e desnecessário embate, desgastante para quem o faz. Prefiro fazê-lo de outra forma. Se a tal réplica foi erguida no trevo de maior acesso a Bauru, por que não erguer outro ícone em forma de estátua, esse outro bem bauruense e no trevo anterior? Falo do famoso trevo da Eny, simbolizando o local onde funcionou por décadas o maior prostíbulo brasileiro, a Casa da Eny.

Ela é merecedora de justa homenagem e a primeira seria a mudança do nome do tal trevo, denominando-o com o seu. A cidade já decidiu como deve se chamar esse trevo rodoviário e sou favorável num outro tipo de homenagem, ou seja, uma nova estátua, essa mais representativa de uma Bauru mais libertina, livre, sem amarras, leve e por que não dizer, solta.

O mesmo ranço conservador a renegar certos procedimentos do passado, como desse resgate à grandiosidade da Eny, faz o mesmo com seus trilhos urbanos, objeto do seu progresso. Hoje os ícones parecem ser outros.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História - www.mafuadohpa.blogspot.com