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O pequeno Vitor André Alves Faria travou uma luta desde que nasceu prematuramente com seis meses. Passou 120 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi diagnosticado com uma síndrome rara. A família, enquanto isso, batalhava pelos remédios de alto custo. Após três anos e meio, porém, o garoto morreu no último dia 30. Apesar do estado, que sempre inspirou cuidados, ele foi a 5ª vítima da gripe A (H1N1) em Bauru.
Este número de óbitos representa aumento expressivo na cidade. Em 2012, foram apenas duas mortes por conta da doença. A quantidade de diagnósticos confirmados também cresceu. No ano passado, foram apenas cinco. Em 2013, faltando quatro meses para o fim, já são 21 registros oficiais.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Vitor André entrou para a triste estatística como a primeira criança a morrer com H1N1 em Bauru desde quando a doença surgiu. Morador do Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa, o garoto começou a apresentar os sintomas em 9 de julho e, no dia seguinte, foi internado no Hospital da Unimed.
“Ele passou 20 dias na UTI do hospital. Foi internado com uma pneumonia. Na terça-feira (da semana passada), não resistiu e morreu. Teve insuficiência respiratória aguda”, conta Ana Lúcia Alves Pereira Faria, 46 anos, mãe do garoto.
Ela, entretanto, explica que o estado do filho sempre foi de cautela. Diagnosticado com Síndrome de West, o menino tomava medicamento para controlar espasmos e convulsões da neuropatia. Apesar de nunca ter tido histórico de problemas respiratórios, o próprio pulmão era mais frágil. “Como ele era prematuro extremo, o pulmão nunca foi 100%”.
Vitor André não havia sido vacinado e, logo que foi internado, já houve a medicação com fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu).
A mãe, que travou há cerca de um ano e meio uma batalha contra a precariedade da saúde em Bauru (leia mais abaixo), desta vez reconhece que tudo foi feito. “Todos os médicos que nos atenderam fizeram o possível. Só temos a agradecer”, completa.
O garoto foi velado no Centro Velatório Terra Branca e sepultado no cemitério São Benedito no dia 31 de julho. “Era nosso único filho”, lamenta Ana Lúcia Faria.
Faltando quatro meses para o fim de 2013, trata-se da 5ª vítima fatal de H1N1 em Bauru. O município não informou a idade, sexo nem o bairro de origem das duas últimas mortes na cidade.
O primeiro óbito por gripe A foi registrado no dia 16 de maio. A vítima, o empresário Nilton Roberto Chies, 47 anos, não resistiu após permanecer internada por sete dias em um hospital da rede privada de saúde. Menos de um mês depois, no dia 5 de junho, José Orlando Rubio, 49 anos, morador da Vila Cordeiro, região do Jardim Bela Vista, também morreu devido à doença.
Hábitos
A Diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica de Bauru, Cristiane Rosevelte e Silva, afirma que, apesar dos números, o município não foge da tendência do Estado.
A médica sanitarista ainda faz uma leitura diferente dos dados apresentados. “No ano passado, foram menos pessoas confirmadas, porém a letalidade proporcional foi bem maior”.
Ela não aponta causas específicas para os números, contudo, destaca que o descuido da população contribui para picos da doença. “As pessoas precisam adquirir hábitos de higiene. Justamente para não vivermos períodos de doenças, como é a H1N1 e a dengue. Se elas mantiverem esses hábitos, não ocorre isso”, complementa.
Além disso, está em continuidade o Programa Sentinela, desenvolvido pelo governo do Estado nas principais cidades paulistas para monitorar a gripe A. O município alerta ainda que, em caso de manifestação dos principais sintomas, imediatamente deve ser procurado atendimento médico para diagnóstico e tratamento específico.
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Arquivo/Quioshi Goto |
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Weber e Ana Lúcia Faria lutavam pela saúde do pequeno Vitor André desde o nascimento |