10 de julho de 2026
Bairros

Amigos de acusado de ferir policiais falam em surto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Amigos e familiares do ajudante geral Anderson Aparecido da Cunha, 34 anos, ainda demonstram incredulidade diante do que aconteceu. Na noite de domingo, ele resistiu a uma abordagem policial e feriu diversos PMs, sendo que um deles chegou a desmaiar, após ser golpeado com uma barra de ferro.

Anderson foi alvejado três vezes na região das pernas. Poderia ter morrido ou ter matado durante o que pessoas próximas a ele acreditam ter sido um surto. Sem antecedentes criminais, ele trabalha há 15 anos como auxiliar de lavanderia no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP), o Centrinho.

Deficiente auditivo, ele chegou, inclusive, a receber tratamento no hospital, mas não conseguiu se adaptar ao uso de aparelho. “Ele é um menino maravilhoso, não sai de casa, não bebe. Nunca deu trabalho”, comenta a mãe, Dinair Maria Pereira da Cunha, explicando que o filho estava “meio assim” já há alguns dias.

No dia em que teve o possível surto, Anderson havia tido um desentendimento dentro de casa, que Dinair preferiu não especificar. Sem habilitação para dirigir, ele saiu com o Gol que comprou com o próprio salário e parou na quadra 4 da rua Santo Garcia, no bairro Pousada da Esperança 2, quando foi abordado pelos policiais militares, que foram acionados pela própria família.


Experiência ruim

Parentes e colegas de trabalho acreditam que ele, já exaltado, tenha se desesperado ainda mais ao ver a polícia. A tese é de que o surto foi desencadeado porque Anderson já teria vivenciado uma experiência ruim durante uma abordagem policial, em maio de 2000. Sem conseguir se comunicar, ele riu do PM e foi tratado com hostilidade.

Na ocasião, acabou quebrando um ônibus coletivo e ficou internado por cerca de 20 dias para tratamento psiquiátrico na Associação Beneficente Cristã (Paiva). Desde então, voltou a ter comportamento normal, conforme afirma a enfermeira Márcia Borges Sanches Rodrigues de Sá, chefe da seção de lavanderia do Centrinho onde Anderson trabalha. “Ele é extremamente alegre, responsável, tranquilo, generoso, solícito e disposto para o trabalho. É um grande amigo nosso”, frisa. Anderson é funcionário contratado pela Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais (Funcraf) e a iminência de ser demitido, dentro do processo em curso no Centrinho, também pode ter alterado suas condições psicológicas, conforme avalia Márcia.

Anderson continua preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.