10 de julho de 2026
Nacional

Comandante de batalhão diz que PM morta com a família denunciou colegas

Por Giovanna Balogh | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

O comandante do 18º Batalhão da PM, coronel Wagner Dimas, afirmou nesta quarta-feira (7) em entrevista à Rádio Bandeirantes que a cabo da PM Andreia Regina Pesseghini, de 36 anos, havia denunciado colegas policiais por envolvimento com roubo a caixas eletrônicos.

Ela e outros quatro integrantes da sua família foram encontrados mortos com tiros na cabeça anteontem dentro de casa, na Brasilândia (zona norte de SP). O coronel, que era chefe de Andreia, diz que apenas um grupo restrito de policiais sabia da acusação feita pela policial.

Dimas não descartou a possibilidade do crime estar relacionado com a denúncia feita pela policial e disse não "estar convencido" na versão apresentada até agora pela polícia de que o filho de Andreia, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos, tenha matado toda a família e depois se suicidado.

O comandante diz que a cabo nunca relatou à PM que estava sofrendo qualquer tipo de ameaça. Ainda segundo o policial, a investigação não chegou a nenhuma conclusão, mas que alguns policiais foram transferidos para o setor administrativo ou transferidos.

Reprodução TV Record

Polícia localizou luvas no carro da família de PMs mortos; pólvora não foi encontrada nas mãos do menino

O crime

A polícia acredita que Marcelo matou os parentes na noite de domingo ou madrugada de anteontem. Teria então dirigido até a escola, passado a madrugada no carro, frequentado as aulas de manhã, voltado de carona para casa e se matado.

A família foi achada em casa anteontem, todos com tiros na cabeça. Luis Marcelo Pesseghini, 40, era sargento da Rota. A mulher era cabo do 18º Batalhão. As outras vítimas moravam na casa nos fundos: a mãe dela, Benedita Bovo, 65, e a tia-avó Bernadete Silva, 55.

Inicialmente, a polícia suspeitava que o crime havia sido retaliação à prisão de integrantes de uma facção criminosa. Após perícia, depoimentos e imagens de câmeras, praticamente descartou a hipótese.

A nova versão ganhou força após o melhor amigo de Marcelo afirmar à polícia que, em diversas ocasiões, ele havia lhe dito que planejava matar a família e fugir.

"Esse amigo nos disse: "Ele sempre me chamou para fugir de casa para ser um matador de aluguel. Ele tinha o plano de matar os pais durante a noite, quando ninguém soubesse, e fugir com o carro dos pais e morar em um local abandonado"", afirmou o delegado Itagiba Franco.

No quarto de Marcelo, havia diversas armas de brinquedo. Na mochila com que fora à escola, um revolver 32, uma faca, rolos de papel higiênico e mudas de roupa.

Câmeras de um imóvel na rua do Stella Rodrigues, colégio particular na Freguesia do Ó, registraram o Classic cinza de Andreia sendo estacionado à 1h25. Às 6h23, sai dele um garoto, que vai até o colégio.

O amigo reconheceu Marcelo nas imagens, mas nenhum parente sabia que o garoto tinha noções de direção. Um vizinho contou que os pais lhe disseram que estavam ensinando o garoto a dirigir.

Pólvora

Nas mãos do jovem a polícia não encontrou pólvora. No carro da família, no entanto, foi achado um par de luvas que será periciado na tentativa de encontrar algum vestígio.

Segundo a polícia, o fato de não haver vestígios do armamento não é incomum, pois a pistola.40 utilizada no crime costuma não deixar vestígios. Canhoto, Marcelo tinha na mão esquerda a pistola utilizada pela mãe. Policiais afirmaram que a arma requer iniciação, pois seu manuseio não é simples.

A reportagem apurou que alguns policiais ainda não estão convencidos do caso, já que indícios preliminares apontam que o sargento foi morto horas antes das demais vítimas.

 

Mãe teria dito na escola que o filho viveria só até os 18 anos

O colégio Stella Rodrigues, onde estudava Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, divulgou nesta quarta-feira (7) uma nota na qual afirma que Andreia Regina Pesseghini, 36 anos, mãe do garoto, teria dito que o filho "talvez não tivesse expectativa de vida além dos 18 anos", ao matriculá-lo na escola em 2006, quando o menino tinha apenas 5 anos.

A nota diz ainda que o bilhete que foi encontrado pela polícia na mochila de Marcelo Eduardo é referente a um pedido para os pais enviarem documentos para atualizar o prontuário do estudante. Segundo a unidade, o pedido foi encaminhado para vários alunos.

Após a morte do estudante e de quatro integrantes de sua família, a escola decidiu suspender as aulas nesta semana e retornará as atividades na próxima segunda-feira (12), quando alunos, professores e funcionários também passarão a ter orientação psicológica.

Ainda segundo o colégio, Marcelo Eduardo frequentou normalmente as aulas anteontem. A direção do Stella Rodrigues informou ainda que ele era um menino "dócil, alegre e com boas relações" tanto com os colegas de sala como com os professores e funcionários. Os pais do menino também eram presentes na vida escolar do menino.