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A fila de pacientes nas unidades de urgência e emergência de Bauru que aguardam vaga de internação hospitalar caiu 65% nesta semana. Após o Ministério Público Estadual (MPE) pressionar as autoridades do município e Estado para adotarem medidas imediatas no sentido de solucionar a grave crise no sistema, o caos vivido em dias anteriores foi, ao menos provisoriamente, contornado.
Até o final da tarde de ontem, 22 pessoas aguardavam transferência para leitos em hospitais públicos da cidade. Eram 12 no Pronto-Socorro Central (PSC) e 10 nas quatro unidades de pronto atendimento (UPAs) do município, segundo informações do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde.
Trata-se de uma condição impensável no início desta semana. Na segunda-feira, 63 pacientes aguardavam vagas de internação em macas improvisadas nos corredores das unidades de urgência e emergência, sendo 51 no PSC e outros 12 nas UPAs.
A redução instantânea de 65% da demanda é consequência direta da estratégia adotada pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6) na última quinta-feira. Após a primeira reunião realizada no MPE, o departamento decidiu bloquear integralmente a entrada de pacientes de outras cidades da região nos hospitais Estadual e de Base.
Já no primeiro dia da medida, anteontem, 20 leitos de internação foram liberados para Bauru. Para se ter uma ideia, no sábado e domingo passados, haviam sido disponibilizadas, respectivamente, zero e três vagas. A oferta insuficiente, agravada pela greve dos funcionários dos hospitais geridos pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), acabou represando um grande número de pacientes, principalmente no PSC.
“Hoje, temos mais leitos (15) do que pacientes (12) no Pronto-Socorro. É uma situação completamente inversa ao que a gente vinha enfrentando nestes últimos dias”, comenta o diretor do DUE, Luiz Antônio Bertozo Sabbag. “Se o Estado disponibilizasse este volume de vagas todos os dias, a superlotação estaria resolvida”, completa.
Temporário
Mas a manobra criada pelo DRS-6 tem caráter temporário, já que hospitais como o Base e o Estadual devem atender a pacientes de toda a região. Segundo a diretora do departamento, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, a estratégia será mantida, ao menos, até o início da semana que vem.
“A intenção é manter esta determinação até a situação se equilibrar, mas é algo não pode perdurar por muito tempo, porque requer sacrifício dos municípios vizinhos”, explica ela. A diretora salienta, no entanto, que não tem conhecimento de maiores dificuldades enfrentadas pelas cidades, que tem tratado seus pacientes localmente ou em hospitais de referência em Jaú, Lins e Promissão.
Quando a medida se esgotar, contudo, o impacto negativo provavelmente voltará a ser sentido no PSC e nas UPAs, já que, até o momento, nenhuma solução que acabe definitivamente com a insuficiência de leitos hospitalares em Bauru foi posta em prática. Sem definir data, o governo do Estado garante que irá criar, no curto e médio prazos, seis novos leitos de UTI para o Hospital Estadual e 12 leitos para o Hospital de Base.
Nenhum dos dois projetos dependerá de novas construções, mas o último deles ainda está sujeito à reativação de algumas áreas do HB, que funciona hoje com 120 leitos.