10 de julho de 2026
Saúde

Hospital do trânsito de SP atende 17 pacientes por hora

Edison Veiga
| Tempo de leitura: 5 min

Criado há seis décadas, o primeiro hospital de São Paulo voltado para o atendimento a vítimas de acidente de trânsito está em um ritmo cada vez mais acelerado. Na estrutura de 25 mil metros quadrados do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (HC) são realizadas 9 mil consultas, 2,6 mil atendimentos no pronto-socorro e 500 cirurgias por mês. Somados, são quase 17 procedimentos por hora.

O instituto foi desmembrado do complexo do HC em 31 de julho de 1953. O tráfego da cidade já causava muitas vítimas. Naquele ano, segundo a reportagem noticiou, o Pronto-Socorro da seção recebia cerca de 50 pacientes por dia e já funcionava 24 horas.

"O novo hospital é formado por um conjunto de unidades e serviços distribuídos pelos diferentes andares do prédio, entrosados entre si, de modo a formar um todo harmônico, contribuindo para maior eficiência no tratamento dos doentes", informava a reportagem. Essa foi a primeira vez que uma clínica especializada deixou o prédio principal do hospital.

Hoje trabalham ali 160 médicos. E a cada três casos que chegam ao local, um é decorrente de acidente de trânsito. É o caso do motorista de ônibus Alexandre Souza Oliveira, de 33 anos. No dia 21, às 4h50, ele saía de sua casa, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, com destino à garagem da empresa onde trabalha, na Estrada do Alvarenga, na zona sul de São Paulo. Como todos os dias, ia de moto, uma Honda Fan 125 cc. "Um carro na contramão me acertou." Oliveira quebrou o fêmur. Deu entrada no PS do instituto, está internado e deve passar por cirurgia nesta semana.


Otimismo

O motorista está otimista quanto à recuperação. Recebe visitas diárias da mulher e o carinho dos familiares. "O que ainda não sei é se terei coragem para voltar a andar de moto. Ainda não consegui pensar muito bem sobre isso."

Histórias assim são diárias neste hospital. E a maior parte dos atendidos é homem. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 22% das internações de vítimas de acidentes de trânsito são de jovens de 20 a 29 anos.

Caminho. Após dar entrada no Pronto-Socorro, o paciente é submetido a exames e procedimentos de urgência. Só então, se necessário, é internado, como Oliveira.

Depois da cirurgia, vem a reabilitação. Aí entram em cena os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. "Muitos chegam aqui após acidentes de moto. E aí é complicado porque, enquanto em uma queda, por exemplo, o ferido quebra um membro, o acidentado de moto chega com duas pernas, ombro e clavícula quebrados", explica a fisioterapeuta Cecilia Miguel Ramos, uma das 28 profissionais da equipe.

(Colaborou Caio do Valle)


Banco de tecidos e oficina de próteses: os serviços mais antigos

Além do atendimento constante há 60 anos, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia também é o atual responsável por serviços que começaram bem antes de 1953, como o banco de ossos (criado em 1950 e transformado em banco de tecidos em 1993), e a oficina de próteses, em 1944.
O banco de tecidos consiste em três "geladeiras" enormes que conservam partes de ossos, e outros materiais para transplante, a -80°C. "São 12 doadores por ano, em média. Cada um ?serve? a cerca de dez pacientes", conta a enfermeira Graziela Maragni, responsável pelo controle de qualidade do setor.

Quando é preciso uma prótese (cada vez mais necessárias, pois o número de amputações em decorrência de acidentes dobrou de 2011 para 2012), elas são fabricadas no hospital. "Fazemos a prótese personalizada para o paciente", orgulha-se o chefe da divisão, Antonio Carlos Ambrosio. Trabalham no departamento 47 funcionários, todos formados ali mesmo.

Em média, são 1,3 mil atendimentos por mês. O que não significa 1,3 mil pacientes. "O sujeito vem aqui mais de uma vez. Precisa medir, experimentar", explica Ambrosio. "Depois vem o treinamento do uso."

Para a confecção propriamente dita, leva-se cerca de oito dias. Mas até o paciente receber "alta" do departamento, lá se vão dois meses.


Valor da fiança é calculado pelo MP

O valor da fiança paga por Bernardo Romitti - R$ 100 mil - impressiona, mas não é o maior da história dos acidentes de trânsito em São Paulo. Um exemplo é o caso do jovem Felipe de Lorena Infante Arenzon, ocorrido em 2011: ele pagou fiança de R$ 245 mil.

Arenzon é acusado de ter matado uma pessoa após uma série de batidas. Em setembro de 2011, com sinais de embriaguez, Arenzon dirigia seu Camaro, avaliado em R$ 200 mil, quando atingiu seis veículos, deixando três pessoas feridas e uma morta. Os acidentes começaram na Avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo.

O jovem saía de uma casa noturna no bairro da Barra Funda, na mesma região. Ele bateu em quatro veículos e só parou após atingir mais dois na Avenida Inajar de Souza, na zona norte.

De acordo com cálculos de especialistas, ele trafegava a mais de 120 quilômetros por hora. Todos os acidentes aconteceram em menos de 60 minutos, em um trajeto de 8,5 km. Ele desceu do carro e ainda tentou fugir a pé, se escondendo em uma casa nas redondezas.

A vítima fatal foi o motorista Edson Roberto Rodrigues, que teve 90% do corpo queimado após sua Towner ter sido atingida e pegado fogo. Ele morreu após cinco dias em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Arenzon, então com 19, não aceitou passar pelo teste de bafômetro. Exames clínicos posteriores teriam comprovado seu estado de embriaguez.


Valor

A fiança existe como garantia de que o acusado vai comparecer a todas as etapas do processo. Se ele não descumprir essa regra, pode reaver ao final o valor - que é arbitrado pelo Ministério Público conforme a natureza da infração, as condições pessoais e a vida pregressa do acusado.

No caso de Bernardo Romitti, a manifestação da promotora salienta que houve ingestão de bebida alcoólica, homicídio culposo, omissão de socorro e fuga do local.

O documento também frisa que Bernardo "possui ensino superior completo e é empresário", "reside no bairro do Morumbi" e "possui envolvimento com o crime de furto". Com base nisso, foi fixado o valor de R$ 100 mil.