10 de julho de 2026
Bairros

Homem morre na UPA do Ipiranga em confusão com segurança

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Policiais militares na unidade de pronto atendimento já ao lado do caixão de André Luiz da Silva Rocha

Um simples atendimento médico terminou em confusão e morte na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ipiranga, na tarde de ontem. Depois de passar por consulta e receber medicação para uma dor de dente, André Luiz da Silva Rocha, 33 anos, que sofre de problemas psiquiátricos, segundo familiares, agrediu a assistente social da unidade de saúde, foi contido pelo segurança e morreu na sala de emergência.

O fato, ainda muito obscuro, parecia mais um caso de agressão quando a ocorrência começou a ser investigado pela Polícia Civil. Fora apurado no início que Rocha seria usuário de entorpecente - o que foi negado pela família (leia mais abaixo) -, e teria agredido a funcionária porque pediu um passe de ônibus e ela não deu.

“O que aconteceu, foi que um rapaz, que é usuário de drogas, e sempre passa por lá,  agrediu a assistente social. O vigilante foi tentar conter ele e ele caiu no chão, bateu a cabeça e teve um traumatismo cranioencefálico. Mas não foi uma briga, foi tentativa de contenção. Ele estava agitado e agrediu a funcionária nossa com soco e chute”, disse Luiz Antonio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da rede municipal, em entrevista ao JC antes do desfecho do caso.

 

Agitação

No entanto, Sabbag já havia informado preliminarmente que Rocha faleceu depois da briga com o segurança e que teria recebido medicação para se acalmar. “Fizeram uma medicação para diminuir a agitação dele e aí levaram ele para a sala de emergência porque estava com um corte. Ele faleceu na sala de emergência”, completou Sabbag.

Depois da constatação da morte, o corpo do homem foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru para realização de autópsia.

O delegado plantonista, Paulo Calil, ouviu o segurança e a funcionária, que não quiseram falar com a imprensa, e pediu que fosse feito um laudo preliminar.


Família

A família da vítima chegou ao Plantão Policial da Central de Polícia Judiciária (CPJ) por volta das 23h de ontem, abalada com o fato. Jarildo Carlos Alves, 42 anos, que é irmão da vítima, explicou que, há cerca de quatro anos, Rocha faz tratamento psiquiátrico. “Ele não era usuário de drogas, mas bebia às vezes. Ele tinha problemas psiquiátricos e morava com a minha mãe. Isso é um caso de negligência médica”, criticou, consternado. O caso foi registrado como morte suspeita.


Laudo

Apesar de apresentar um corte do lado direito da testa, o delegado Paulo Calil informou que o laudo preliminar do médico legista não apontou lesão intracraniana, ou seja, o cérebro estava intacto.

“O que o médico legista constatou foi que o coração dele estava inchado, que pode ser por conta das medicações que ele fazia por conta dos problemas psiquiátricos. Não foi constatada droga neste exame, apenas havia álcool no fígado. A suposição, neste laudo preliminar, é que a morte ocorreu por interação medicamentosa, porque ele foi medicado para se acalmar. Vamos apurar tudo isso, mas os exames laboratoriais só saem em cerca de 30 dias”, disse o delegado.

O médico legista atestou que o médico da UPA Ipiranga aplicou a medicação Midazolam 15 miligramas, para acalmar Rocha. Conforme apurado pelo JC, trata-se de um sedativo, com rápido início de ação.